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Coluna do Jó

26/09/2016 17:38:26

Teixeirinha 

Vitor Mateus Teixeira era filho de Saturnino Teixeira e Ledurina Mateus Teixeira, e teve um irmão e duas irmãs. Com seis anos perdeu o pai e, com nove anos perdeu a mãe, ficando órfão. Foi morar com parentes, mas estes não tinham condições de sustentá-lo. Saiu de sua terra ainda menino, seguindo sua caminhada pelo mundo.
 
Aprendeu a ler nos poucos meses que frequentou a escola, e fez sua morada as muitas cidades por onde passou: Taquara, Santa Cruz do Sul, Soledade, Passo Fundo e Porto Alegre. Para sobreviver, trabalhou em granjas no interior. Seu primeiro emprego foi em Porto Alegre, na pensão de Dona Aidê, carregando malas, vendendo doces como ambulante, entregador de viandas, vendedor de jornais, enfim, fazia qualquer atividade para poder sobreviver.
 
Aos 18 anos se alistou no Exército, mas não chegou a servir. Nesta ocasião, foi trabalhar no Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), como operador de máquinas, durante seis anos. Dali saiu para tentar a carreira artística, cantando nas rádios do interior nas cidades de Lajeado, Estrela, Rio Pardo e Santa Cruz do Sul.
Com o coração voltado para a música, nas horas vagas já era solicitado para animar festas, iniciando assim sua carreira com shows. Sem estudar canto nem música, possuía muita capacidade de improvisação e repentismo. A beleza simples de suas letras e a melodia comunicativa de suas músicas eram frutos de inspiração espontânea, gerados por sua vivência, seu amor à vida e aos seus semelhantes.
 
Teixeirinha e Mazzaropi foram os maiores fenômenos populares do cinema sul-americano regional. No caso do cantor gaúcho, seus filmes chegaram a superar 1,5 milhão de espectadores, obtidos apenas nos três estados do Sul do país.
 
A fórmula era semelhante: baseavam-se em músicas de autoria de Teixeirinha, que interpretava a si mesmo. Eram coproduzidos por distribuidores e exibidores locais, que lhes asseguravam a permanência em cartaz. Sua última produção, A Filha de Iemanjá, foi distribuída pela Embrafilme.
 
Teixeirinha teve um recorde de venda de discos. Até 1983, lançou 70 LPs, compôs por volta de 1,2 mil canções e vendeu mais de 80 milhões de cópias.
 
Teve sete filhas e dois filhos: Sirley, Liria Luisa, Victor Filho, Margareth, Elizabeth, Fátima, Márcia Bernadeth, Alexandre e Liane Ledurina.
 
Teixeirinha faleceu vítima de câncer e está enterrado no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre. Sua viúva, Zoraida Lima Teixeira, com quem Teixeirinha se casara em 1956, faleceu em 2014.
 
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