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Coluna do Mazzarino

10/01/2017 17:13:28

Flores para os leitores: Ana E.Carvalho, Livani  M.Vognach, Ivete S. Kich, Egon Pithan e Avelino Knecht.”

“A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos.” Marcel Proust escritor francês

Crônica

BOA LÁBIA

Dia destes lia um artigo do escritor Mario Vargas Llosa, num diário uruguaio. Ele relatava suas relações com uma empresa de recuperação de móveis. Llosa havia pedido o serviço e a empresa demorava na entrega.

Foram tantas as ligações pedindo o móvel que ele acabou fazendo amizade com a atendente. Ela, quando o atendia, sempre dizia que a entrega estava a caminho, ou que nas próximas horas  ela seria entregue, ou que ele ficasse tranquilo, pois o trânsito das grandes cidades interferia no cumprimento do horário.

O escritor apaixonou-se pela boa lábia da vendedora. Ligou tantas vezes que ficou íntimo, sem conhecê-la. Foram tantas as “boas voltas” que ela dava, que ele não conseguia se indignar com os prometidos, e não cumpridos, prazos de entrega.

Ou seja, um intelectual, uma das mentes mais privilegiadas do mundo, não conseguia separar o racional do emocional. Ou melhor, sabia que estava sendo enrolado, mas não conseguia quebrar o “feitiço”.

E cresce os  golpes e atropelos, por celular e redes, tentando, ou fazendo vítimas pessoas do nosso cotidiano.

Nesta região, dos Vales do Taquari e Rio Pardo, e também Serra, periodicamente alguém aparece como vítima dos bilhetes premiados.

Uma pessoa aparece a sua frente e diz que o bilhete sorteado é o passaporte de uma fortuna e chave da felicidade. Ele deseja repassá-lo, pois não tem tempo de retirar o prêmio, e tal direito ele repassa mediante o pagamento de uma soma qualquer que você possua.

Enquanto construo estas linhas muitas lembranças me passam na mente. A maioria delas é a eterna briga entre a emoção e a razão nas decisões de nossas vidas.

Isto vale a troca de carro, um encontro na fila do banco, um café na mesa de bar, um discurso na tribuna, a definição do voto, o aplauso numa solenidade.

A minha dúvida fica no segredo da química, ou seja, onde foi o fator decisivo. Na arte de falar, na sensibilidade de ouvir, ou no conteúdo da mensagem 

A minha certeza é que a boa lábia é o despertador do processo.  Imagino nos próximos meses a “boa lábia” explicando a lista da Odebrecht, no escândalo da Operação Lava Jato.

Se aconteceu com o escritor Vargas Llosa e a atendente,  pode acontecer com nós. Fiquemos de sobreaviso!

A vida em azul

Aconteceu em Porto Alegre. O nosso personagem é do setor de vendas. Quem conta é um colega dele aqui da região e leitor da coluna.

O cara é casado, mas estava de onda com uma dona, daquelas de fazer deputado largar Brasília. Eis que um dia ela liga querendo festa após o expediente.

Ele, quase tímido, decide se assegurar do momento de lazer e compra um Viagra. Do tipo “pouca prática”, nunca havia provado da pastilha azul. Comprou, botou no bolso e foi para o motel.

Na suíte, vai ao banheiro e engole o comprimido. Logo depois a gostosa se atira sobre ele. Quando ele vê o tamanho da fome da moça entra em pânico e aquilo que teria de entrar em ação não funcionou.

Como não havia solução, adiaram o projeto para uma aventura futura.  Afinal, essas coisas acontecem.

Quando o nosso galã chega em casa é que o comprimido começou a fazer efeito. E o cara foi se transformando, a fome aumentando, a tensão aumentando e tudo mais aumentando.

Diante do descontrole emocional ele procura a esposa. Aí aquilo que era lazer passa a ser problema. A esposa, como toda mulher que se preza, passa a desconfiar. Ela queria saber o que tinha havido, pois o esposo estava diferente.

Pra resumir a história, daquele dia em diante o nosso galã passou a ser dependente da milagrosa pastilha. Toda semana ele enxerga a vida em azul. Tinha de fazer feliz a matriz e a filial.

Eleições x amor

A campanha eleitoral corria solta. Tímida de modo geral, mas caliente, para aquelas almas que gostam de agitar na vida noturna.

No Vale do Taquari, constituído de mais de 30 municípios, um candidato , casado, andou se perdendo pelos olhos de uma morena alta.

Os encontros eram sempre à noite, sob a desculpa de que as reuniões partidárias o obrigava a estar presente com os companheiros, sem a esposa.

Como foram muitas as reuniões a esposa desconfiada ficou mais atenta. E ligou para o candidato a prefeito com alguma desculpa, e este negou a realização da reunião.

Ao chegar em casa, a esposa monta a armadilha. Afirma que foi informada que na reunião ele foi destituído do cargo e ela preocupada quer saber os detalhes.

Diante da confusão, ele se obriga a dizer que foi para uma cidade vizinha jantar com os amigos.

Só que a desculpa não colou e o tiroteio verbal foi tão alto que a vizinhança acompanhou a  gritaria. Ou seja, comício na campanha e comício em casa. Sim, a democracia é um processo barulhento tanto no coletivo, quanto no particular.

Curtas

l O senador  Lasier  Martins  deixou o PDT.  Estava rumando para o PSD, mas pode, nos próximos dias, anunciar sua filiação no PSDB.

l A eleição de prefeito em Arvorezinha acontece no dia 12 de março. O PP lançou pré-candidato. O PDT vai deixar chegar fevereiro. Temem que o PP troque de candidato.

l Em Colinas, o suplente Klaus Driemeier  (PP) assumiu uma cadeira no Legislativo. O vereador Odilo Costa (PTB) foi para o Executivo chefiar a Secretaria de Obras.

l O prefeito de Imigrante, Celso Kaplan (PP), o Lélo, pode assumir a presidência do Consisa. Kaplan trabalha com a ideia de um consenso.

l A equipe da Cacis  se movimenta para  a Multifeira que acontece em setembro. Entre as ideias, um espaço temático do universo  da cerveja.

l Restaurante Rosinha, de Paverama, nas margens da BR-386, inaugura em breve sua nova unidade, em frente da rodovia.

 

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