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Coluna do Mazzarino

28/02/2017 17:04:15

A brigadiana, a deputada e o nosso tempo
 
Estou entrando no carro. Um compromisso me chama. É numa cidade do Vale do Taquari. Na minha frente, mais ao lado, dois policiais abordam alguém. 
 
O suspeito é imobilizado contra a cerca. Na lateral do carro há um espaço vago, pois é uma entrada de garagem e o estacionamento é oblíquo.
 
Em paralelo, uma viatura da Brigada Militar chega para cobrir a ação dos colegas. O veículo entra no espaço da garagem e quase parando, dele sai um policial. E aí começa a nossa conversa.
 
Sim, uma mulher, muito bonita, de cabelo curtos, misturados entre loiros e negros, com os olhos que gritavam de tanta luz clara e azul (ou verde).
 
Intranquilo, mesmo com a ação policial controlada, vou dando ré no carro, no estacionamento oblíquo e sigo em frente.
 
De  agora em diante sai o real e entra as possibilidades do imaginário.
 
Veja você como funciona a mente humana. Eu sou daqueles que defende a presença das mulheres em todos os setores da sociedade.
 
Foi uma simples ação policial e lá me peguei eu com os meus preconceitos. O primeiro deles é de que no militarismo não é lugar de mulher. No minuto seguinte, a segunda maldade. Lá pensei eu: “quero ser preso por ela”. Sim, o machismo chega e não tem como controlar.
 
Eu poderia conduzir esta nossa conversa para outro caminho, mas optei pela verdade dos labirintos internos. Faz alguns anos entrevistei a deputada federal Manoela D'Ávila.
 
Perguntei se a sua beleza, que era um ponto forte de sua caminhada, não tinha momentos de chateação. Ou seja, uma quase maldição.
 
És bela e tal beleza que te abre caminhos, ao mesmo tempo, é um peso. Quererás ser normal, passar sem ser vista, ser comum, ser multidão.
 
Porém, por onde fores serás visível, percebida e notada. Manoela, de forma sutil, observou a pergunta com um gesto de respeito e até surpresa pela objetividade.
 
Mas, como boa política, contornou a conversa e evitou aprofundar. Era, na época, candidata à prefeita de Porto Alegre.  
 
Depois da entrevista, lembrei de Rita Camata, ex-deputada federal e ex-primeira-dama do Espírito Santo. Em Brasília, por onde passava, seguiam muitos olhos e sentimentos.
 
Trocando em miúdos. Tanto a brigadiana quanto a deputada e milhares de mulheres por este país, por mais incrível que possa parecer, sofrem preconceitos por serem belas.
 
Neste fevereiro que finda, neste março que nasce, começa o dia, a semana e o mês da mulher. Vivemos tempos de contrastes, conflitos, contradições nossas e dos outros.
 
Neste período civilizatório de tantos avanços tecnológicos, de tanta evolução social, de transparências em movimento,  há uma marca estranha de se constatar.
 
A agressão ao feminino, à infância, ao idoso, ao diferente de cor e ao sexo cresce de forma a parecer ser uma doença do nosso tempo. E fica a pergunta: estamos avançando?
 
Então, nesta conversa, que agora encerro, a dica é que reorganizemos o nosso pensar. Um olhar para dentro, antes de rotular o outro.
 
É hora de domesticar os nossos preconceitos. Eles costumam devorar os outros e quando menos percebemos nos devoram.
 
 
 
 
PMDB antecipa corrida para 2018
No PMDB do Vale do Taquari o quadro está confuso para 2018. Nenhuma surpresa, segundo alguns. A sigla sempre foi assim e assim será.
Porém, o que chama a atenção é que a corrida eleitoral para 2018 foi antecipada dos ditos prazos normais. Ou melhor explicando, o que era para ser uma discussão em reuniões e gabinetes a partir de março, já teve início no final do ano.
Observe. A delegada de polícia Márcia Scherer disse em diversas rodas que será  candidata a deputada federal em 2018. Ela é filiada ao PMDB de Lajeado. Lá existe um acordo entre o PMDB e PDT.
O PMDB de Lajeado só lança candidato se o PDT não oferecer opções. E os trabalhistas têm dois nomes na fila para Porto Alegre e Brasília: Enio Bacci e Renato Worm. Só depois dos dois decidirem é que o PMDB de Lajeado poderá projetar ações. Márcia poderá concorrer pelo PMDB de outro município, nada a impede.
 Em paralelo, o deputado Edson Brum, com bases no Vale do Taquari, reuniu as lideranças em Arroio do Meio, após outubro, colocando o gabinete à disposição e também demarcando território para a sua reeleição. E convidou o então prefeito Sidnei Eckert para ser seu assessor em 2017. Eckert não gostou da condução dos fatos. O convite para o cargo este colunista divulgou nas redes sociais, antes dele se posicionar. Eckert queria segredo.
Na noite do jantar, em Arroio do Meio, um dos ausentes foi o prefeito de Estrela, Rafael Mallmann. Naquela semana, ligou para diversas lideranças dizendo-se pré-candidato. O convite do deputado Brum foi uma tentativa de seduzir Eckert e evitar a sua pré-candidatura. Eckert também pensa na Assembleia Legislativa.
Uma reunião da coordenadoria do PMDB em Doutor Ricardo foi realizada. No mesmo período a Amvat, a associação dos prefeitos do Vale, estava trocando de presidência. Conforme acordo, a indicação do novo nome era do PMDB. O prefeito Rafael Mallmann seria o nome indicado para o comando da entidade. E assim aconteceu. Só que a reunião, mesmo discreta, não escondia a tensão e briga de espaço, afinal a presidência da Amvat é uma vitrine.
Tudo seguia o movimento normal das marés até semana passada. Um movimento do deputado federal Alceu  Moreira, em Porto Alegre, mexeu com o tabuleiro aqui na região. Moreira, na busca da reeleição à Câmara Federal, convidou Sidnei Eckert para um cargo, em Porto Alegre, no Departamento Nacional de Produção Mineral.
O fato provocou telefonemas e discretas reuniões em diversos ambientes da região. No acalorado das emoções, vazou uma informação: o prefeito de Estrela pode estar deixando o PMDB e rumando para o PTB. Os detalhes da movimentação nós não temos. Porém, Mallmann percebeu que Moreira estava construindo com Eckert uma dobradinha eleitoral futura.
Os nomes aqui citados não foram consultados. As descrições aqui feitas são uma soma de informações de terceiros. A ausência de suas falas é explicável. Todos dirão que o momento é de diálogo, que são soldados da sigla, que é muito cedo para posições, que não querem conflitos, que a imprensa e colunas exageram, e por aí vamos.
A essência desta conversa é que o jogo eleitoral de 2018 já iniciou. Então, fique de olhos nos atores, o teatro da política será de muitas emoções.