Polícia

Primeira-dama

08/03/2013 - Polícia

Como toda jornalista, Carine tem na Biblioteca Municipal um dos seus recantos preferidos/ Bruna Nune

Mulher e homem: igualdade de gênero

 

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o Jornal Nova Geração conversa com a primeira-dama de Estrela, a jornalista Carine Schwingel. Ela que carrega o título de ser a mulher do prefeito se incomoda com o status que essa condição lhe oferece. Com “fogo nas ventas” e ligada em 220 volts, ela aprende a equilibrar o cotidiano ao lado do marido, destacando que a mulher jamais pode suplantar o masculino, na busca pela igualdade de gêneros. Para a primeira dama, cada indivíduo tem espaço na sociedade e o dia dedicado à causa das mulheres deve servir como reflexão para a evolução da sociedade e a busca incessante pela igualdade de gêneros.  

 

Ela nasceu na Serra, mas aprendeu desde cedo a gostar de Estrela. Filha de pais que nasceram e se conheceram em Linha São José, a primeira dama deixou Caxias do Sul aos onze anos, em busca de uma vida tranquila, atrás do sonho do pai em empreender na Princesa do Vale. “Eu conhecia Estrela porque vez por outra, meu pai vinha buscar bebidas na fábrica da Polar”, revela Carine. Foi nessa época que ela estreitou os laços com a cidade que hoje faz a íris do olho castanho brilhar. “Estrela tem um aconchego, uma hospitalidade que uma cidade maior jamais terá. Também é perto de tudo e nela estão todas as pessoas que eu amo.” 

 

Com dois filhos, e um marido prefeito, ela administra vida e convive com o poder púbico de perto. Tudo que ela sempre quis. Apaixonada pela política, a apressada Carine aprende com Rafael Mallmann que na esfera pública as “coisas” não são para ontem como ela espera. “Isso é um desafio e um crescimento para mim.” E reforça na autocrítica. “Eu sou muito perfeccionista e a mesma exigência que eu tenho comigo, aplico nas pessoas que me cercam. Isso me faz mal.” Esperar demais e prospectar resultados acima da média incomodam a primeira dama. A razão também esvazia quando o coração bate mais forte no peito. Carine é 100% emoção. Mata, morre e sofre pelos que ama e acredita – até que lhe provem não serem merecedores desse sentimento incontrolável. “Eu me vejo a partir desses defeitos. Uns até podem achar que são qualidades. Mas eu vejo como defeito.” 

 

 

A mulher e o gênero

 

Carine é fã de quem luta pelos seus direitos. Mas a batalha jamais pode ultrapassar os limites do outro. Não é com sobreposição que se conquista um lugar ao sol. “Eu sou feminista até o ponto em que o feminino se equivale ao masculino. Porque isso, a mulher não pode usar essa diferença de gênero para se vitimizar”, decreta. 

 

Para Carine, a mulher tem que mostrar sua competência. Agora, ela não é mais do que o homem. E ele não é mais do que ela. “Ainda sou do tempo em que a mulher cozinha, lava, limpa e ajuda. Eu ainda sou desse tempo, e faço isso na minha casa. Eu gosto disso e porque o Rafael também não sabe fazer nada” (risos). A Amélia moderna aparece no pensamento feminista da primeira dama. 

 

 

Visão do todo

 

Quiçá a única vantagem – além da maternidade –  a glória de dar a luz,  Carine diz que a mulher difere do homem, e quem sabe se destaca por isso ,pela capacidade de enxergar de forma periférica. “O homem é muito focado em determinada função, e por isso, torna-se muito bom nisso. A mulher consegue ver o todo. Isso faz com que ela consiga, depois de um dia de trabalho dar conta de uma casa e dos filhos”, compartilha. Carine é assim. Para ela defender a mulher não é querer tomar o lugar do homem. “É ter o seu próprio espaço. Tem lugar para os dois. Cada um no seu papel.” 

 

 

O título oficial

 

O cargo interposto por ser mulher de Rafael Mallmann é pesado para Carine. Não pela responsabilidade, mas pelo título mesmo. “Isso parece distante do que eu realmente sou. Eu sou a mulher do Rafael, a jornalista, a mãe do Estevam e da Rafaela.” Carine esteve sempre perto do marido. Serviu de porto seguro. E no ombro dele recosta suas angústias também. 

 

“O título de primeira-dama afasta das pessoas. Eu não gosto disso. Não quero privilégios. O fato de eu ser mulher do prefeito não me dá o direito de ter vantagens e ser 'melhor' do que ninguém”. 

 

Carine fala de doação. Recorda que antes da vida pública mantinha laços na Igreja Evangélica Luterana, no Festival do Chucrute, na escola das crianças e no círculo de amigos. Na época, voluntária por querer. Hoje, segundo ela, por direito. “Antes eu ficava meio assim: até onde eu posso me meter e ajudar? Agora eu sei que eu posso ajudar. O fato de ser primeira- dama me permite isso. Realizar trabalho voluntário. Eu vou ser a servidora dos funcionários públicos.” Sem remuneração. Nada contra quem divide com o marido a vida profissional. Mas para a primeira-dama de Estrela isso é uma heresia. 

 

 

E na família

 

O segredo da felicidade de uma mulher está na compreensão mútua dentro do lar. Uma mulher só pe feliz quando consegue equilibrar ao lado do marido e filhos os sentimentos. Dividir receios e multiplicar realizações. “A mulher tem que atuar na busca pela relação mais harmoniosa nas família. Sem se anular. Eu sou muito família. E para mim, a chave do sucesso nas relações é o respeito.”

 

Quanto a “8” de março, Carine diz que a data chama à reflexão. Muito embora a visão de sexo frágil não exista no pensamento da primeira dama, para ela é impossível ignorar o simbolismo do dia. “O dia 8 de março tem que ser um mecanismo de reflexão, para mostrar que ainda somos discriminadas, que no mundo do trabalho há diferença e não pode ser superficial. Tem que ser debatido e questionado.” Estrela conta com uma defensora de suas filhas. Mas ao jeito dela, sem muitos salamaleques. Bem ao estilo “frau” Schwingel: direta; prática; família e amor. 


Leia Também

Menores de idade são apreendidos com drogas e celular furtado

15/10/2019

Fato ocorreu domingo, no Bairro Imigrantes

Força Tática pauta encontro

11/10/2019

Pessoas da comunidade questionaram, no Face do NG, valor do cartão para o jantar


Perseguição resulta na prisão de dois criminosos

30/09/2019

Veículo utilizado pelos homens havia sido roubado em Estrela

Jantar busca recursos para equipar Força Tática

27/09/2019

Seis soldados já estão confirmados para o grupo