Polícia

Enchente 2013

31/08/2013 - Polícia

Plano de contingência alivia flagelo da cheia Depois do “ensaio geral” do simulado da Defesa Civil Nacional realizado em dezembro de 2012, das capacitações e da criação do Plano Municipal de Contingência, Estrela passa no teste da enchente. Evento natural, que pode ser prevista mas não evitada, a enchente do fim de semana passado teve o impacto da destruição minimizado. A conta é da própria Defesa Civil do município: as famílias foram retiradas das áreas de risco com até seis horas de antecedência e ninguém sentiu a água subindo as canelas. O coordenador da Defesa Civil, Jorge Ademar Both, ainda contabiliza os danos materiais do Rio, que no Porto atingiu a marca de 23,83 metros. Segundo ele, é preciso alguns dias para apurar quantas casas terão que ser reconstruídas. Se alguma será interditada. “Mas a capacitação e a organização da nossa equipe e da população foi fundamental para colocar em prática o plano”, diz Both. Com o alerta de enchente confirmado ainda na manhã de sábado, 24, ele e a equipe municipal montaram a Sala de Comando de Incidentes na Defesa Civil. De lá, o raio-X do Rio Taquari foi feito desde as partes altas até a régua do Porto. “Esse procedimento está previsto em nosso plano de contingência, que se mostrou eficaz na enchente”, avalia. Equipe organizada, a primeira ação ocorreu às 19h do sábado. Um servidor da Defesa Civil passou de casa em casa, no Loteamento Marmitt, questionando a população. “Perguntávamos quem podia ir para casa de parentes, quem precisava de ajuda da Prefeitura para sair de casa e quem tinha que ir para o abrigo.” Da sondagem: 27 famílias precisaram ir para o abrigo e outras 80 saíram para casas de parentes. “O mais importante é que ninguém ficou dentro de casa quando a água subiu, na madrugada de domingo”, recorda. Volta sem trauma Na quarta-feira a volta para casa começava a ser orquestrada pela Defesa Civil. Depois da avaliação na casa, a família pode retornar. “Não temos como precisar quanto tempo vai demorar. Talvez nesta sexta-feira, ainda famílias estejam sendo deslocadas. Mas o importante é destacar que os efeitos dessa enchente foram menores porque tudo funcionou. A população estava consciente e a comunidade se uniu”, completa o coordenador. Both pede espaço para um agradecimento. Além do efetivo municipal, três empresas tiveram papel fundamental no resgate de vítimas nas áreas alagadiças. A Morelli Materiais de Construção; Rapidão São Paulo e a Trânsito ajudaram na remoção das famílias na madrugada de sábado. “Assim como a comunidade eles entenderam o nosso lema: a Defesa Civil somos todos nós.” Setembro chuvoso Ainda não há como prever quantos dias vai chover em setembro. Meteorologistas anônimos e famosos dizem que deve ter chuva na maioria dos dias do mês que começa domingo. Os órgãos de proteção já estão avisados. A Defesa Civil Nacional e Estadual deram o alerta. “Mas é importante dizer à população, neste momento, que não há motivos para pânico. Se der enchente outra vez, com certeza estaremos preparados”, tranquiliza Both. Correria contra o tempo e a água Em época de fortes e contantes chuvas, as cenas de pessoas já flageladas ou temerozas, realizando o transporte urgente de alguns móveis, eletrodomésticos e roupas para um abrigo municipal e casa de parentes, ou mesmo de quem não quer deixar seu lar apesar dos pedidos, não são incomuns em cidades ribeirinhas. Mas ainda espantam e emocionam muitos, mesmo quando não atingidos. Em Estrela elas voltaram a se repetir, em partes, na última semana e muitos temem pelos próximos dias. O ginásio municipal Ito João Snell desta vez não ficou lotado, mas eram muitas as famílias que lá passaram horas ou dias de angústias. Para ser mais exato, 94 pessoas de 27 famílias. A primeira a chegar, e que lá permanecia até ontem foi a da família de “Roseli” Silva, residente da Rua Jacob Hallmann, no Bairro Imigrantes. As seis pessoas do lar ficaram sabendo da ameaça de enchente pelo rádio e depois foram alertados pela Defesa Civil, que os convidou a se retirarem de casa. Já instalados no ginásio, logo ao lado do portão principal, tentavam dividir a angústia com outras famílias que iam chegando aos poucos. As crianças até pareciam se divertir. Paula Natieli da Silva (12), filha mais nova de Roseli, tinha bastante consciência da situação. “Por algumas coisas até que é divertido. A gente faz novas amizades, brinca aqui. Melhor rir do que chorar”, afirmou ela. Mas nem todos pensam assim. O metalúrgico Valdomiro Antônio da Silva (51), mesmo com os dois braços machucados devido a um acidente, fazia força. Isso para ajudar a esposa a levar a geladeira, que estava no porão da casa na Rua Coronel Flores, no Centro, para a parte superior do lar. Em 2011 não deu tempo de fazer isso. Tanto que no ano passado resolveu construir um barco para agora usar nestas circunstâncias. Era com ele que ia até os fundos da sua residência buscar mais algumas coisas. Mas ir para o abrigo municipal não era seu desejo. “Não, não quero abandonar minhas coisas, minha casa, como já fiz outras vezes. Quero ajuda aqui, nem que seja para levar tudo para o telhado”, destacou. A primeira vez Na Rua São Roque, no Bairro Oriental, há poucas quadras do ginásio municipal, outro sobe e desce pela rua. São pessoas que correm contra o tempo e a água, esta sim que só sobe. Entre elas Jane Valéria Cardoso Rodrigues (27). Desempregada e com um filho de seis meses, se mostrava assustada. Assim, levava o que podia para a casa de um vizinho, poucos metros acima. “Agora vou levar o sofá”, avisou (foto acima). Outros faziam de barco o trajeto que horas antes era percorrido por carros ou a pé. Animais de estimação pareciam perdidos e assustados. “De longe, um casal, dentro de um carro, observava a tudo. “Graças a Deus estamos livres disto”, comenta o motorista, sem querer se identificar. “Há quem fique humilhado quando oferecemos ajuda. Já ofereci outras vezes e teve quem se ofendeu. Pago meus impostos e faço minhas orações para que tudo melhore o quanto antes. Que ninguém fique doente”, diz a moça, também anônima. Não era o caso de Jane Rodrigues. Terça-feira, mais calma, já fazia a limpeza de parte do lar atingido. “Ainda tem muita umidade. Estou morando há um neste lugar, não imaginava que a enchente chegava até aqui”, destacou. Sobre a ajuda, afirmou. “Ninguém apareceu. E foi tudo tão rápido também que nem tive muito tempo para pensar, não tinha crédito nem sabia o telefone e para quem devia ligar.”

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