Imigrante

Alimentação saudável é incentivada nas escolas de Colinas

Cardápio utiliza mais da metade dos produtos oriundos da agricultura familiar. Estímulo garante desenvolvimento dos alunos

03/05/2018 - Imigrante

Os estudantes de Colinas ganham atenção da Administração Municipal como um todo, através da Secretaria Municipal de Educação e Cultura. Entre as prioridades da equipe, oferecer uma alimentação rica em nutrientes àqueles que passam a maior parte do seu dia nos educandários a fim de estimular hábitos saudáveis desde a infância. Trabalhos em sala de aula, avaliação nutricional e aquisição de alimentos da agricultura familiar garantem pratos coloridos e mais qualidade de vida aos alunos.

Hoje, aproximadamente 350 alunos da rede municipal são beneficiados com cardápios elaborados de acordo com a faixa etária atendida. Na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Pequeno Mundo são 60 crianças que recebem café da manhã, almoço e lanche da tarde, totalizando 180 refeições por dia preparadas por duas profissionais, uma merendeira e uma servente. "Na EMEI existem 2 cardápios, um para o berçário A e B e outro para o berçário C,  e maternais A e B. Os berçários A e B recebem leite materno ou fórmula infantil, frutas, almoço e janta. O berçário C e maternais A e B recebem café da amanhã, almoço com fruta de sobremesa, lanche da tarde e frutas. Essa divisão de cardápios ocorre devido à idade. Na EMEI toda a semana é enviado, através da agenda, o cardápio para os pais acompanharem. Além de ser remetida diariamente uma ficha de acompanhamento das refeições onde os professores marcam o quanto a criança comeu de cada refeição", explica nutricionista Gabrielle Santos Aragones. Já na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Ipiranga alcança 300 refeições. O número varia conforme o dia da semana. Os pratos são organizados por uma merendeira e duas serventes. O educandário conta com 296 alunos. Destes, 165 frequentam o turno integral.

Estímulo de hábitos

Para despertar o interesse dos pequenos sobre a importância da alimentação no seu desenvolvimento, aprendizagem e rendimento, os educandários realizam ações e oficinas permanentes, envolvendo personagens, mascotes e brincadeiras. "A educação nutricional faz parte das atribuições do profissional dentro do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). As ações sobre alimentação ocorrem conforme os conteúdos abordados em cada série e, normalmente, eu e os professores combinamos os momentos e assuntos que serão trabalhados em cada turma", revela a nutricionista. Na Ipiranga foi elaborado um filme baseado na história “O sanduíche da Maricota”. O tema que foi trabalhado em sala de aula. Os alunos fizeram o próprio sanduíche saudável no refeitório e por fim apresentaram a encenação. Palestras com as séries finais e atividades em parceria com o Programam Saúde na Escola, da Secretaria Municipal da Saúde também são ações promovidas. "O sistema digestório foi trabalhado em sala de aula com os alunos do 5º ano e depois apresentado para toda a comunidade escolar, através de um túnel montado no pátio onde os alunos explicavam como ocorre a digestão e absorção dos alimentos", recorda Gabrielle.

Para o próximo semestre, dois projetos serão propostos. Um será o Grupo de Educação Nutricional onde irão participar alunos que, após a avaliação antropométrica (peso e altura), apresentarem peso acima do ideal para a idade. Outro trabalho envolverá os frequentadores do turno integral, que irão confeccionar um livro de receitas utilizando o reaproveitamento ou integral dos alimentos, a fim de conscientizar para o consumo de uma alimentação saudável e sem desperdícios.

Agricultura familiar compõe metade do cardápio

A Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009, determina que no mínimo 30% do valor repassado a estados, municípios e Distrito Federal pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) deve ser utilizado na compra de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar. Em Colinas, o índice de 2017 registrou 55,13%, quase o dobro do exigido.

Os pratos são produzidos a partir de alimentos adquiridos por meio de duas listas. No mercado são 142 produtos. Outra tabela é a da agricultura familiar, que é formada por 104 itens. "Alguns são iguais nas duas listas, mas damos preferência para comprar da agricultura familiar esses itens que são iguais, como alface", exemplifica Gabrielle.
Segundo ela, "os alimentos vindo diretamente do produtor e produzidos na cidade garantem uma qualidade melhor, são colhidos próximo ao dia do consumo, são transportados por menor tempo, além de assegurar que a renda fique no próprio município", acredita.

O trabalho do grupo, composto por 10 agricultores familiares de Colinas, tem apoio da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente e a Emater-RS/Ascar. Fazem parte da Linha Roncadorzinho Christina Hoppen Horst e Rafael Horst; da Linha Leopoldina Elias Müller e Lourdes Reni Scharb; Irene Corotto Danebrock; Airton José Petter; Nelson Goldmeier e Milton Bazanella da Linha 31 de Outubro; Lia Stiegemeier Haefliger de Ano Bom; e Harry Lückemeier da comunidade Roncador.

"As culturas são muito variadas, a maioria produz um pouco de cada, mas nas reuniões são estabelecidas quantidades aproximadas que o produtor terá de cada alimento para fornecer no ano. Todos fornecem diversos itens da lista. O que muda são as quantidades. Conforme os agricultores têm disponibilidade de um determinado alimento, eles comunicam a Emater, a qual me avisa e assim pode-se acrescentar tal alimento no cardápio, garantindo a qualidade das refeições, já que o alimento consumido na época da colheita é muito mais saboroso e nutritivo", enaltece.

O transporte dos alimentos do interior para as escolas é feito nas manhãs de segundas-feiras com um veículo da prefeitura. O trabalho é feito pela Secretaria de Agricultura. Como a demanda da EMEF é maior, a associação dos agricultores cedeu uma câmara fria onde os alimentos podem ser armazenados para serem utilizados durante a semana. "O consumo desse tipo de alimento traz benefícios enormes. São colhidos e entregues em pouco tempo, sem longo transporte e longos armazenamentos, isso garante mais qualidade nutricional. Além disso, a maioria dos produtores da cidade está fazendo uma produção agroecológica, já estão deixando de usar agrotóxicos e em breve terão a certificação de orgânicos, o que garante maior qualidade ainda". As vantagens respingam também nos próprios agricultores, uma vez que lei permite que o preço seja diferenciado. Com certificação orgânica o alimento pode ser vendido com um acréscimo ainda maior.

Avaliação nutricional acompanha desenvolvimento

O PNAE prevê ainda a avaliação nutricional dos alunos. Os resultados são compartilhados com os pais. A prática é realizada anualmente, sempre em comparação com o ano anterior para acompanhamento do desenvolvimento. Em 2018 a análise ocorreu nos meses de março e abril. Conforme Gabrielle, cada aluno é avaliado individualmente aferindo-se peso e altura. "Com uso de balança e estadiomêtro (aparelho que mede a altura) disponível na escola. Através destes dados é utilizado o programa Anthro que avalia a curva de desenvolvimento das crianças", esclarece. Diagnóstico feito e os que necessitam são convidados a participar do Grupo de Educação Nutricional e acompanhamento nutricional junto à equipe da Secretaria Municipal de Saúde.


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