Polícia

Após dez anos, abusador vai para a prisão

Indivíduo com condenação de 14 anos e sete meses de reclusão foi preso domingo no interior de Bom Retiro do Sul

18/10/2019 - Polícia

Clareava o domingo, dia 13, quando a Polícia Civil realizou uma operação que culminou na prisão de um homem condenado pelo estupro da própria filha. Agentes da Delegacia de Polícia de Bom Retiro do Sul, com apoio de policiais de Cruzeiro do Sul e da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Lajeado, participaram da ação. Após a sentença condenatória de 14 anos e sete meses de reclusão expedida pela 1ª Vara de Estrela, os policiais cumpriram mandado de prisão. O condenado foi localizado em uma casa da sua família, na localidade de Beira do Rio. Após registro na DPPA, seguiu para o Presídio Estadual.

Após a prisão, a vítima procurou a reportagem do Jornal NG. Quando tinha 11 anos, a menina começou a ser abusada pelo companheiro da mãe, que havia lhe adotado e registrado como filha. Ela conta que, em função de uma doença, sua mãe estava tomando remédios fortes, os quais a faziam dormir, e ali começaram os abusos. “Eu era muito nova, ele começou a me dizer coisas, e eu não entendia muito sobre o que ele dizia. Começou a me mandar fazer coisas, e falava que se eu não fizesse iria matar eu, minha mãe e minha irmã que tinha 8 anos na época. Ele andava armado, eu tinha medo”, disse a jovem que hoje tem 23 anos.

Ela conta que o primeiro abuso físico ocorreu na cozinha da casa. “Ele tirou minha bermuda e calcinha. Doía muito, e ele me dizia que isso era só o início, que depois passaria, e reforçava que se eu contasse para alguém pagaria com a vida.”

A jovem conviveu com abusos praticamente todos os dias. “Eu me sentia um lixo, tomava vários banhos e procurava não olhar para ele e para minha mãe, para ela não ver os machucados das vezes que eu tentava me defender e ele me batia.”

A revelação dos abusos

Ela sempre teve medo de revelar a violência. Mas, após ficar grávida novamente (vítima perdeu o bebê), contou para amigas na escola, que repassaram à direção e o Conselho Tutelar foi acionado. A jovem foi levada à Delegacia de Polícia e revelou os abusos. A partir daí, o homem passou a ameaçar pessoas que ajudavam a vítima. O motorista do ônibus escolar, que já faleceu, foi convidado para ser padrinho de seu filho e foi acusado pelo abusador de ser o pai do garoto. “Contei para ele (motorista) sobre o que eu sofria e me ajudou muito. Por isso, acabou sofrendo com as ameaças, assim como outras pessoas.” O abusador foi afastado de casa, porém mais tarde voltaram a morar juntos. Ele continuava pressionando a menina para negar os crimes, até que o exame de DNA confirmou a paternidade.

Como vive hoje?

Aos 16 anos, a vítima conseguiu a emancipação. Foi trabalhar e morar em outra cidade. Há sete anos está casada e reside na zona rural de um município do Vale. Além do esposo, moram juntos o seu filho e uma enteada. Ela evita sair por vergonha, além do medo de sofrer represália de parentes do homem preso.

Ao saber da prisão, ela conta que se sentiu vingada. “Ainda que tenha demorado, me sinto melhor em ver ele pagando pelo mal que fez. Foi a melhor sensação, pois lutei dia por dia para que isso acontecesse. Durante cinco anos ele fez o que quis e nesse dia não.”


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