Vale do Taquari

Atrasos na entrega de remédios preocupam

Situação em Colinas e Imigrante ocorre há meses com medicamentos fornecidos via Sistema Único de Saúde

24/01/2019 - Vale do Taquari

A falta de medicamentos fornecidos pelo Sistema Único de Saúde tem preocupado e causado transtornos à população que recorre à Farmácia Básica para realizar tratamentos de saúde. Em Colinas e Imigrante alguns itens estão em falta há mais de meio ano e prejudicam quem necessita do auxílio.

Em Imigrante, um anticoncepcional injetável está em falta há mais de seis meses. Mas para não desassistir a população, a prefeitura está comprando o medicamento. “Não impactou só porque estamos absorvendo o gasto. Os processos administrativos para receber remédios para casos mais específicos também estão, em média, há 20 dias em atraso”, comenta a secretária de Saúde e Assistência Social, Regiane Möllmann.
O pior cenário ocorre em Colinas. São quatro nomes na lista dos medicamentos que estão em falta, além das dietas líquidas. Entre eles, Azatioprina, um imunossupressor utilizado para tratamento de hepatite crônica ativa autoimune, anemia, lúpus, artrite reumatoide grave, entre outros; Pravastatina e Atorvastatina, que auxiliam na redução de colesterol no sangue; e o Medroxiprogesterona, anticoncepcional injetável.

A farmacêutica que coordena a farmácia do município, Cláudia Spohr, afirma que diariamente são cerca de 50 pessoas que procuram medicamentos no local. “A situação mais crítica é do Azatioprina, que está em falta até nas farmácias e está sem vir desde novembro do ano passado”, comenta.

No caso do anticoncepcional injetável, o município de Colinas também optou em comprar para evitar a falta do estoque. “É uma situação agravante no sentido da interrupção no tratamento, justamente porque as pessoas que nos procuram, na maioria das vezes, não têm condições de comprar na farmácia e param de tomar a medicação”, diz Cláudia.

Paciente afetado

Sidnei Rother, de 36 anos, é servidor público em Colinas e utiliza a Azatioprina desde que realizou um transplante de fígado, há oito anos. Sem o remédio na Farmácia Básica, tentou em outras, mas também não encontrou o medicamento. “Preciso tomar um e meio por dia, 45 por mês. Faz uns cinco dias que não estou tomando porque acabou o que eu tinha e não encontro nem para comprar”, explica. O valor do remédio varia, mas Rother chega a pagar R$ 180. “Já comprei outras vezes quando atrasou a entrega. Fico decepcionado porque é uma obrigação do Estado manter isso para quem precisa.” 

Situação em Estrela

A farmacêutica responsável pela Farmácia Básica de Estrela, Fernanda Prediger, afirma que o medicamento que está a mais tempo em falta é utilizado para o tratamento da hepatite C, que é adquirido pelo Ministério da Saúde e entregue pelo Estado. “Estamos sem a cerca de dez meses”, comenta. Ela explica que o remédio é utilizado para um tratamento de aproximadamente três meses e que não é utilizado de forma contínua. “De qualquer forma, é um medicamento bem caro.” 

Governo do Estado se posiciona sobre situação

Na terça-feira, dia 22, a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, anunciou que o medicamento Azatioprina deve ser reposto em dez dias. Além disso, ela informou que o remédio está em falta devido a um incêndio no laboratório do fabricante, ocorrido em outubro de 2018.
Sobre os demais medicamentos em falta, o titular da 16ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), Ramon Zuchetti, afirma que na quarta-feira, dia 23, e quinta-feira, dia 24, foram recebidos alguns medicamentos e suplementos alimentares, mas que o inventário completo de nomes só estará pronto na segunda-feira, dia 28.

Sobre o atraso dos medicamentos, como o anticoncepcional, Zuchetti salienta que fez uma consulta para mais informações, mas ainda não recebeu retorno. 


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