País

Debaixo do tapete

10/05/2013 - País

Estofados e espumas se amontoam no porão do prédio/ Fotos Frederico Sehn / O Informativo do Vale

 

Sofás vão parar no porão da Polar

 

Desde que foi fechado, desativado e adquirido pela prefeitura, parte dos prédios que fazem parte do complexo da Polar se tornaram um elefante “beje” no Centro de Estrela. O último achado, em meio a poeira, sucata, restos de máquinas e instalações são duas “minas” de sofás e colchões usados. O material descartado em duas salas do porão do prédio soma toneladas de espuma que não tem reciclagem local. Para dar conta da sujeira jogada para debaixo do tapete, a prefeitura estuda agora uma parceria com uma empresa de Canoas que reutiliza o material. 

 

O secretário de Administração, Henrique Lagemann é quem guia visita. A atuação em prédios públicos é da responsabilidade da pasta dele. É de Lagemann que vem também a frase: “é como empurrar a sujeira para debaixo do tapete”, compara. O secretário explica que na falta de um local adequado para descarte de estofados, antes de deixá-los apodrecer na rua, a administração permitiu o acúmulo de estofados que hoje quase alcança o forro. “Aqui temos um sério problema ambiental e um depósito proliferando ratos e insetos”, reclama. Na conta, são mais de mil unidades entre estofados, colchões e espumas sob risco iminente de incêndio. “Esse material é altamente inflamável, uma faísca e o prédio todo incendeia”, alerta. 

 

 

Reciclagem

 

Como não há empresas que reutilizam sofás e colchões na região, a saída foi buscar parcerias fora do Vale do Taquari. Uma empresa de Canoas demonstrou interesse nas espumas estrelenses e deve fechar uma parceria. “Em Canoas eles conseguem reaproveitar 100% do material – tecido; madeira e a espuma – estamos negociando para enviar sem custo e ter um descarte correto para esse lixo”, justifica Lagemann. 

 

Não está nada certo. A Prefeitura abriu negociação com a empresa. “Mas é uma luz no fim desse túnel escuro e cheio de poeira”, conclui o secretário. A área ocupada pelos lixos, sofás e restos de materiais depositados no prédio é de aproximadamente 800 metros quadrados – todo um andar no térreo de um dos prédios. 

 

 

De refeitório a gabinete

 

O que interessa à Prefeitura é o antigo refeitório da fábrica de cervejas. O terceiro andar de um dos prédios onde jazem cubas refrigeradas, fornos e coifas de inox, será ocupado pelas secretarias de Administração; Meio Ambiente; Agricultura e o Gabinete do prefeito Rafael Mallmann. “Tudo que está no prédio onde funciona a prefeitura hoje e as salas alugadas para outras secretarias virá para esse pavimento”, explica o titular da Administração. 

 

O espaço deixará secretarias interligadas e trará mais eficiência ao serviço. “Hoje o contribuinte que precisa pagar um tributo às vezes tem que passar em mais que uma secretaria, e se deslocar em mais de um endereço”, frisa. 

 

O custo da obra de adequação do prédio não é quantificado ainda. Mas se paga ao longo do tempo. Só em aluguéis, o município gasta por ano, cerca de R$ 250 mil – R$ 1 milhão a cada nova gestão. Além disso, vários prédios estão em situações precárias. Precisam de reformas estruturais que hão de consumir muitos recursos. “Somando tudo isso dá para bancar a obra e a transferência das secretarias”, pontua Lagemann. 

 

Na área em torno ao prédio, será feito um estacionamento, onde antes ficavam os pátios da cervejaria. O prédio possui um fosso de um antigo elevador. O aparelho não está mais no local. Mas  o espaço pode receber um equipamento novo, promovendo acessibilidade nas futuras instalações da prefeitura. “Hoje não temos condições de colocar um elevador no prédio antigo”, conclui Henrique Lagemann. Não há um prazo estabelecido para a transferência. Os estudos de viabilidade e financeiro já foram concluídos. O trabalho agora é para garantir os recursos para aproveitar o prédio que é patrimônio público e ajuda a contar um pouco da história de Estrela. 

 


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