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01/03/2013 - Polícia

Mesmo sob o sol forte, Egon vai para o serviço pedalando, e sem perder a classe / Mariana Bechert

Na contramão da maioria

 

A cena de alguém passando de bicicleta em meio aos carros parece cada dia mais desaconselhável. Alguém pedalando com sapatos, calça social, camisa e gravata é algo inimaginável  para a maioria, ao menos longe de um cenário europeu. Calcule isso em dias quentes como os do verão brasileiro ou para pessoas de mais idade. Pois é na contramão disso tudo que Egon Fangmeier (64) vai pedalando quase todos os dias, há pelo menos 11 anos, quando socialmente trajado se dirige a um de seus empregos em Estrela.

 

Natural de Colinas, onde trabalhou na roça até os 18 anos, Fangmeier é porteiro na sede social da Sociedade Ginástica de Estrela (Soges), no bairro Alto da Bronze. Nas horas vagas atua como cinegrafista e editor de imagens. “Na verdade já fiz de tudo. Trabalhei por 23 anos na Polar, fui eletricista, soldador, encanador. Sou de uma época que era necessário saber fazer um pouco de tudo”, avisa ele, que é casado com Anita Paula Fangmeier (62) e pai de Daiane (25). 

 

Avesso às badalações, o trabalhador não calcula o quanto chama a atenção dos olhares dos que o veem passar. Seja por sua disposição ou por sua roupa, incomum a quem geralmente anda de bicicleta. “Talvez daqueles que não me conhecem, pois faço isso há muito tempo. Em primeiro lugar é uma forma de fazer um exercício físico, pois passo muito tempo sentado. Já a roupa é devido à necessidade de me vestir de acordo com a minha função”, destaca. 

 

O fato de ter carro não o desanima. “Na época que trabalhava no Centro, perto de casa, me acostumei a não depender do carro. Em dias de forte chuva, ou que estou atrasado, opto pelo veículo, mas são raras as vezes. Ir de bicicleta é mais barato que de carro e mais rápido do que à pé”, atesta ele. “É um pouco judiado às vezes. Tem o calor, é preciso sair mais cedo, mas incentivo sempre os meus amigos a fazerem o mesmo. Faz muito bem. É uma pena que não se vê mais muitos jovens pedalando.” 

 

 

Perda de espaço

 

Apesar dos benefícios, Fangmeier tem suas reclamações. “As bicicletas perderam muito espaço para os veículos. Quem está de bicicleta é que precisa esperar”, avisa ele, que já sofreu três acidentes. “Um foi mais grave, fui parar no Pronto Socorro após um carro me jogar longe. Ou outros dois foram mais leves. Em um fui atropelado por um amigo que não me viu”, relembra, rindo. 

 

De acordo com Almir Trasel (53), da loja Rei da Bike, esta é uma  reclamação geral. Reclamação dividida por Nilve Binecker (63), que assim como o marido Sílvio (63), apesar de terem carro, utilizam diariamente a bicicleta, seja para ir ao trabalho ou realizar outras funções. “Incentivo outros a fazer o mesmo, mas dizem que de carro é mais rápido. Dias atrás mostrei para uma amiga que não, pois saí do mesmo lugar que ela e cheguei antes”, revela.

 

Há pouco mais de seis meses, Fangmeier fez uma nova aquisição: uma bicicleta mais moderna. “Meus amigos brincavam que estava na hora de trocar a minha. Paguei à vista, mas digo para eles que ainda tenho muitas prestações”. 

 

Alternativas como motos não lhe vêm à cabeça. “Acredito não ter mais idade para andar de moto, mas quem sabe daqui alguns anos uma bicicleta elétrica”, brinca ele, ao seguir o rumo ao serviço. 

 

 

Rei das bicicletas dá seu parecer

 

Há 21 anos no ramo, a loja Rei da Bike tem como proprietário, Almir Trasel (53), um grande e consciente defensor do pedalar. Ele diz que ao longo dos anos percebeu a mudança no perfil de quem procura a bicicleta, seja para diversão ou locomoção. 

 

“Os jovens até os 18 anos ainda querem as bicicletas. Depois disso o desejo é o carro ou a moto, ainda mais com as facilidades que há hoje para as aquisições. Depois, geralmente acima dos 40, voltam a procurar uma bicicleta como alternativa para cuidar da saúde e fazer um exercício físico”, explica ele. “Na faixa entre os 18 e 35, 40 anos, as pessoas querem carros e motos pela rapidez da locomoção. Quem está de bicicleta encontra dificuldades no trajeto, como também o desrespeito a eles. Muitos esquecem que quem pedala tem o mesmo direito de ir e vir, assim como quem está de carroça ou carro.” 

 

“Mas isso vai mudar quando os grandes congestionamentos, como já ocorrem nas metrópoles, chegar a nós. Então voltar a andar de bicicleta, quem sabe em rotas próprias para isso, será uma alternativa melhor do que para apenas manter a saúde”, diz ele, ao lembrar-se de anos atrás, quando boa parte de funcionários de empresas como a Polar iam de bicicleta por trajetos tranquilos, e tinham local para guardar seus ecológicos meios de transporte no próprio serviço.


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