Polícia

Crime: sazonal e imprevisível

Mesmo após assalto, comerciante cita sensação de segurança com câmeras

09/08/2019 - Polícia

Pelo menos um dos homens presos em Paverama já havia cometido delitos em Estrela

Menos 16% de ocorrências registradas quanto a furtos ou arrombamentos no primeiro semestre de 2019, em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse foi um dos dados apresentados na Câmara de Vereadores de Estrela, na última semana, quando foram divulgados os dados referentes à redução de crimes no primeiro ano do sistema de videomonitoramento.

Na mesma semana, porém, houve quatro registros de furtos, situações que mostram a imprevisibilidade do crime. “O principal fator responsável é a política de desencarceramento, em que o sentimento de impunidade estimula a reincidência”, afirmou o comandante do 40º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Estrela, tenente Edilnei Gravina.

Primeiro furto em anos

Em uma das ocorrências, uma loja de Estrela, que está há mais de 25 anos no município, foi furtada pela primeira vez. Na madrugada, o alarme disparou e a BM foi acionada por vizinhos e pelo vigia da rua – contratado por várias empresas e residências. Foram levados R$ 210, jaquetas e meias. Dois criminosos estouraram a fechadura e a ação foi flagrada pelas câmeras internas. Na fuga, o sistema de videomonitoramento registrou o carro, um táxi, cujo motorista foi preso em Lajeado no mesmo dia.

Apesar disso, a sócia-proprietária do estabelecimento destaca que desde a instalação das câmeras, a sensação de segurança cresceu. “As câmeras vão ajudar muito na elucidação do fato. Elas facilitam, pois como a BM não tem efetivo suficiente, ter pessoas analisando as câmeras e imagens 24 horas por dia nos dá mais possibilidades de identificar suspeitos.” Para o tenente, os fatos são isolados e não indicam uma onda de crimes. “Até porque, com auxílio das imagens, neste caso, foi possível chegar aos suspeitos e o possível veículo utilizado, o que facilita ações de prevenção de novos delitos”, diz.

Sazonalidade

Quanto à sazonalidade, o comandante afirma que em determinadas épocas do ano o crime tem maior incidência, mas salienta que a comparação para concluir que o crime reduziu em relação ao primeiro semestre de 2018 foi realizada mês a mês, e questões como chuva e temperatura representam pouca interferência nos índices, o que para ele não representa um possível aumento de delitos no segundo semestre.

Migração para o interior

Gravina destaca que não há nenhum dado que aponte a migração de delitos para o interior, uma vez que os crimes com maior redução nas áreas abrangidas pelo videomonitoramento são os característicos das regiões centrais. Mas destaca que a violência destes casos, principalmente em roubos à residência (que diminuíram 12,5%), se assemelham aos cometidos contra bancos. “Isso se explica pelo investimento em dispositivos de segurança realizado pelas instituições financeiras, dificultando a ação dos criminosos que migraram para ações no interior das cidades, fato este também comprovado após prisões, como a ação da última semana onde foi desmantelada uma quadrilha numerosa no interior de Paverama e apreendido vasto armamento”, afirma.

Com relação ao videomonitoramento, Gravina destaca que mesmo sem câmeras no interior, o sistema ainda auxilia. “Reduzindo os crimes na área central, a BM pode destinar seus recursos ao interior, além de que, muitos criminosos utilizam as vias que são monitoradas para acessarem o interior e, com isso, podem ser identificados”, explica. 


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