Estado

Novo homem no campo

14/06/2013 - Estado

Jovens voltam ao interior, de olho no futuro promissor

 

Contrariando até mesmo os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aponta decréscimo na população rural tendo com parâmetro os censos demográficos de 2000 e 2010, o novo homem do campo é jovem. Em Geraldo Baixa, em um tímido hectare de terra, André Pletsch (25) quer começar o império das hortaliças sem agrotóxico. E prospecta renda suficiente para  manter uma vida boa no campo, livre da confusão da cidade, com sustentabilidade econômica e ambiental. 

 

O reino encantado de Pletsch ainda é só um projeto em sua mente fértil. Assim como a terra que escolheu com a mãe, o terreno do jovem é bom. Vai germinar tomates e alfaces sem agrotóxicos. “Eu quero produzir de forma natural, sem produtos químicos. Nós temos oferta de terra boa e insumos dos vizinhos”, explica. Nas redondezas, aviários e chiqueiros devem garantir o fermento à terra para fazer crescer suas hortaliças. “Existe uma falta muito grande desses produtos no mercado. Além disso, a venda direta para escolas e creches é uma possibilidade”, planeja. 

 

Orientado pela Emater/RS-Ascar, Pletsch quer produzir com rentabilidade. Isso passa por visitas técnicas, orientação e um “aval” final da extensão rural para arar a terra e começar o plantio. “No início pretendo manter o meu trabalho na indústria, mas assim que possível eu vou abandonar a cidade e me fixar no campo.” 

 

Hoje o contracheque do futuro agricultor é de R$ 1,5 mil. Ele acredita que alcança com folga isso na propriedade. E se faltar campo, vai arrendar dos vizinhos para ampliar o negócio. O céu é o limite para Pletsch que se configura como um novo modelo de homem do campo, interessado em rentabilidade, qualidade de vida e sustento da família. “Ninguém se interessa muito pelo interior. E devo dizer que eu nem gosto tanto assim, mas eu vejo o campo como o futuro, como possibilidade de qualidade de vida.”

 

 

Vida natural

 

Pletsch veio de Tiradentes do Sul, na fronteira com a Argentina. Cerca de 400 quilômetros separam a terra natal das terras de Geraldo Baixa. Ele nasceu no campo, mas viveu sempre na cidade. Em Estrela há sete anos, agora é que se mudou para junto da mãe, na propriedade que será sinônimo de prosperidade no futuro. “A vida na cidade é muito corrida. Estamos expostos a poluição, barulho e estresse. Nada disso tem aqui.” Canta um passarinho, fazendo a trilha sonora para Pletsch, em algo parecido com o que acontece nas novelas. Mas na vida real, o jovem industriário quer largar a máquina para pegar na enxada e ser feliz. “Por isso também que não vamos produzir com agrotóxicos aqui”, completa. 

 

 

Dois por um

 

O secretário Municipal de Agricultura José Adão Braun traz a conta do contra êxodo na ponta do lápis. Segundo ele, existem mil propriedades rurais em Estrela. Contudo, no registro da Secretaria constam mais de dois mil produtores com talão de notas. “Isso quer dizer que nas propriedades, os filhos estão trabalhando junto dos pais. Essa proporção dois para um mostra que a sucessão rural é uma realidade em Estrela.”

 

Braun explica que esse movimento se tornou mais acelerado nos últimos anos. “O produtor tem conseguido sustentar a família com folga. Hoje estamos na melhor bacia da produção leiteira, isso gera também renda satisfatória que traz o filho de volta ao campo.” Braun diz que o filho sente que tem futuro. O campo tem internet, água tratada. As condições do meio rural são quase iguais às da cidade. “Entra também o investimento do município em infraestrutura. Nós temos a perspectiva de em quatro anos duplicar o número de propriedades”, contabiliza. 


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