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Inter é condenado a indenizar ex-funcionária por assédio moral de jogadores da categoria de base

19/09/2017 - Estado

A Justiça condenou o Sport Club Internacional a indenizar uma historiadora vítima de assédio moral praticado por jogadores da categoria de base. A ex-funcionária vai receber R$ 5 mil em decisão da Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que rejeitou o recurso do clube contra a condenação imposta pelo segundo grau trabalhista.

A historiadora, que não teve o nome revelado, relatou que trabalhou no museu do clube durante três anos e pediu demissão por considerar insustentável o tratamento que recebia dos jogadores da categoria de base, que constantemente se referiam a ela no refeitório com comentários do tipo “gostosa”, “cheirosa”, “linda”, com assobios e risadas frequentes.

O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) fixou a condenação em R$ 5 mil, considerando que as testemunhas comprovaram os atos inoportunos praticados pelos jogadores, que convidavam seguidamente a trabalhadora para sair e usavam tratamento depreciativo. Segundo uma delas, a historiadora se mostrava incomodada com a situação e relatava o fato às assistentes sociais do clube.

O que disse o Inter

O vice-jurídico do Inter, Gustavo Juchem, declarou que não cabe ao clube se posicionar sobre a acusação em si. “O Internacional vai acatar essa decisão e vai pagar a indenização a que foi condenado”, disse.

“Evidentemente que a direção do Internacional não tolera e repudia esse tipo de atitude. O Internacional tem nas suas normas internas vedação a essas posturas. Temos um Código de Ética e estamos elaborando também um Código de Conduta. Temos, inclusive, uma ouvidoria bem aparelhada e capacitada para receber esse tipo de denúncia, caso ocorra, e dar o devido processamento”, defendeu Juchen.

A ex-funcionária afirmou que comunicou o fato à superior, que disse a ela para “não dar bola”. Ainda segundo a trabalhadora, a gerente geral do museu do Internacional também a tratava de forma humilhante. Questionado sobre se a direção teve conhecimento na época dos fatos, o vice-jurídico disse acreditar que não, “até porque não houve, nem mesmo no processo, identificação de quem teriam sido os assediadores, o que também impediria que o clube tomasse alguma providência a respeito”.

Machismo

O TRT considerou graves os fatos descritos pelas testemunhas, ainda que praticados por jogadores em maioria adolescentes, por tratar-se de “tratamento machista e constrangedor que não pode ser admitido em um ambiente de trabalho”.

A Justiça entendeu, contudo, que não ficou evidenciado qualquer tratamento diferenciado ou incompatível com as regras de civilidade em relação à trabalhadora por parte da gerente do clube.

 

Rádio Guaíba


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