Estrela

Menos de 1% dos atendimentos no Pronto Socorro são de emergência

Uma das propostas, é a implantação de um consultório para atender baixa complexidade

03/05/2019 - Estrela

A fim de discutir alternativas para melhorar e qualificar o atendimento no Pronto Socorro do Hospital Estrela, representantes da instituição, da Secretaria da Saúde, Conselho Municipal da Saúde e comunidade reuniram-se em audiência pública na tarde de segunda-feira, na Câmara de Vereadores. O Plano de Ação, apresentado pelo diretor do hospital, José Clóvis Soares, sugere, entre outras, a viabilização de um consultório exclusivo para atender os casos de baixa complexidade. Isto porque, segundo ele, dos atendimentos prestados no PS cerca de 70% não são urgentes, sendo que menos de 1% foi caso de emergência.

O tema deve ser discutido no dia 24 de maio, às 15h, na secretaria da Saúde, quando entidades do município e representantes do governo farão uma reunião para montar um grupo de estudos, que irá discutir a viabilidade do consultório, assim como a responsabilidade de custeio da ação.

Case em outros hospitais

A proposta do consultório, de acordo com o diretor, já foi implantada em outro hospital da Rede de Saúde Divina Providência, o que reduziu o tempo de espera, que era em média de 2h, para 15min. Ele defendeu também maior integração das Unidades Básicas de Saúde com o hospital para melhorar a situação atual.

Medidas como esta, além de outras como a redefinição do fluxo assistencial e a maior participação dos municípios no custeio operacional, qualificariam o atendimento e ajudariam a reverter o quadro economicamente desfavorável, pois o desempenho econômico ambulatorial apresentou, em 2018, um déficit de R$ 2,5 milhões. “O hospital tem ótimos serviços e é referência em nível estadual. Mas é preciso fazer com que os pacientes tenham mais acesso, pois a taxa de ocupação é de 55%”, disse Soares.

Cota SUS

Conforme o diretor, 72% dos atendimentos prestados são pelo SUS. Em 2018, 10 mil pacientes a mais foram atendidos além da cota oferecida. “Não deixamos de atender pelo SUS mesmo quando atinge o teto”, ressaltou. Segundo ele, a diferença entre o que foi contratualizado com o governo federal e o que foi prestado pelo hospital chega a R$ 1,45 milhão.

O prazo médio para o pagamento dos serviços pelos governos é de 118 dias, sendo que o Estado deve valores de setembro a dezembro do ano passado.

Atendimentos em março no PS hospital:
Total de pacientes: 1.939
Não urgentes (pulseira azul): 1.351 (69,6%)
Pouco urgente (pulseira verde): 552 (28,4%)
Urgentes (pulseira amarela): 35 (1,8%)
Emergência: 1 (0,05%)

Consultas nos postos

A cobertura da atenção básica em Estrela atinge 67,4% da população, ou seja, cerca de 21.440 habitantes. Em 2012 o número de consultas médicas por intermédio da Secretaria da Saúde foi de 4.304 por mês, número que, em 2019, chegou a 6.544. Em termos econômicos, o município tem um custo mensal de R$ 278 mil com atendimento de médicos (clínico geral e pediatra) nas Unidades Básicas.

Comunidade fala

O Jornal Nova Geração solicitou em sua página no Facebook (facebook.com/jornal.novageracao.7) que a comunidade deixasse perguntas ou sugestões a serem feitas ao Hospital Estrela. Selecionamos os mais recorrentes:  

Ananda Santos: “Porque não existe um pediatra de pronto atendimento? Isso não iria ajudar a desafogar o médico clínico plantonista?”

Priscila Italo: “Gostaria de saber porque com atendimento de dois médicos mesmo assim as fichas não urgentes, azuis, tem que esperar de 4 a 5 horas? Quando estive lá com minha filha fiquei 3h sentada, ela com dor, desisti e vim embora.”

Mirian Vargas: “Se os médicos estão de plantão porque não estão ali? E o que a nova administração poderia fazer para resolver esse problema na demora dos atendimentos?”

Mariane Baischi: “Quais são as melhorias a serem implantadas no quesito demora no atendimento? Pois tenho visto relatos de pacientes que aguardaram mais de 4h pelo atendimento. Quais são os especialistas disponíveis no plantão hoje? Há algum projeto para ser incrementado ou novos profissionais para aumentar o quadro?”

Resposta às perguntas

As perguntas foram encaminhadas para o diretor da instituição, que encaminhou uma nota:

“A Sociedade Sulina da Divina Providência, mantenedora dos hospitais da Rede de Saúde Divina Providência (RSDP), entre eles, do HE, respeita e preza muito a participação comunitária. Entendemos que, assim como nós, as pessoas buscam o melhor para o Hospital Estrela. Desde que assumimos sua gestão, temos buscado soluções aos desafios que se apresentam na instituição. Estamos abertos a ouvir a população e seus sentimentos. E fizemos isso na audiência pública ocorrida na segunda-feira, fórum adequado para as pessoas se manifestarem. Reiteramos que temos conversado com o poder público, inclusive, solicitamos que a prefeitura contrate um médico clínico para atender a demanda de consultas classificadas como não urgentes. Estamos, pois, avaliando adequações e estudando medidas que façam frente à demanda da sociedade. Quando o processo de ajustes estiver concluído, teremos condições de informar à população tudo o que será implementado para atendê-la da melhor maneira possível, como é a prática dos hospitais da Rede Divina Providência.”


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