Estrela

Moradores relatam problemas com telefonia e internet no interior

Comunidade aguarda soluções para a falta de sinal e de qualidade em serviços prestados

15/11/2018 - Estrela

A comunicação, principalmente por meio das redes sociais e aplicativos, nunca esteve tão em alta. Para tornar o processo possível, uma internet de qualidade, seja através das redes Wi-Fi ou via dados móveis dos celulares, é necessária. Mas, nas comunidades do interior de Estrela, há demandas quanto aos serviços prestados por operadoras.

Richard Oliveira Ramos tem 27 anos e mora há oito no Distrito de Delfina. Atualmente, ele trabalha como motorista de um aplicativo de celular e cita diversos problemas enfrentados com a telefonia e internet na casa onde reside com outras cinco pessoas.

A vontade de iniciar um canal no Youtube foi adiada por Ramos, que cita a velocidade da internet, cujo serviço é oferecido pela M2P2 Comunicações, como principal fator que o fez desistir. “Eu estava tentando trabalhar com vídeos. Cheguei a comprar alguns acessórios para gravar, mas não conseguia postar e o retorno que tinha era de que o problema era no meu computador”, afirma.

Recentemente, ele optou por aumentar a velocidade da internet de dois megabits (Mbps) para cinco, mas afirma que, em horários de pico ou quando todos da casa estão conectados, a velocidade não é entregue. Por conta dessas e de outras situações, afirma que o valor pago é abusivo, fator que ajudou na hora de escolher outra residência para morar. “Estamos em processo de mudança para uma casa que fica há quatro quilômetros daqui e pertence a Bom Retiro do Sul. Ali, estou pagando o mesmo valor para ter o dobro de internet, sem precisar pagar taxas de telefone e com a tecnologia de fibra óptica”, explica.

A dependência da instalação do telefone fixo para ter o serviço de internet é outra questão citada pelo morador. “Sinal da vivo, tanto para ligar quanto internet, também pega muito mal, por isso que aqui a pessoas são dependentes do fixo”, comenta.

Fibra óptica como alternativa

O vereador Márcio Mallmann (PP) cita que, em uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Agropecuário de Estrela (Codae), surgiu uma perspectiva de implantação da tecnologia de fibra óptica, já em funcionamento nas comunidades de Porongos e Arroio do Ouro, para o Distrito de Delfina e outras centrais. “O conselho tem representantes de todas as comunidades e está sendo feito um estudo, na Seplade, de qual seria o orçamento para trocar todo cabeamento”, explica. Ele afirma também que o assunto está em tratativas com a M2P2, já que parte do investimento viria da empresa e outra parte de verba pública.

De acordo com o diretor de mercado da M2P2, Alexandre Duarte, a fibra óptica é uma tecnologia totalmente diferente da tecnologia usada hoje em algumas comunidades do município, sendo superior e possuindo uma série de vantagens. “Entretanto sua implantação ainda é bastante custosa, necessitando avaliação específica. Em alguns locais que atendemos no Estado, uma única comunidade rural teve o projeto de fibra óptica orçado em cerca de R$ 2 milhões”, explica.

O gestor de projetos da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplade), Adilson Heleno da Silva, também participou da reunião junto ao secretário da pasta, Paulo Ricardo Finck. “O valor específico para implantação no Distrito de Delfina não temos, pois isso demanda um estudo detalhado sobre o assunto. Foi encaminhado aos secretários da Seplade e da Fazenda o pedido para elaboração desse projeto quantitativo, porém devido aos encerramentos do ano, o pedido está para aprovação. Assim que aprovado, deve levar 60 dias para elaboração do projeto para realizar a licitação para a obra”, comenta.

O que acontece com o serviço

Na zona rural de Estrela, são cerca de 1,1 mil clientes atendidos em 12 comunidades pela M2P2, que atua desde 2016. O diretor de mercado da empresa, Alexandre Duarte, explica que o serviço oferecido, de ADSL (banda larga), é uma tecnologia antiga e que quanto mais longe da central, mais o sinal possui dificuldade para chegar devido aos cabos antigos. “Para este tipo de serviço, a Anatel estabelece que a velocidade mínima a ser entregue instantaneamente, é de 40%. Logo, quem possui por exemplo três mbps de velocidade, precisa receber no mínimo 1,2. Mas, na zona rural, devido às distâncias, muitas vezes não se consegue chegar aos 40%, e sim 30% ou 35%. Nesse sentido, entendemos que é melhor manter o cliente conectado do que totalmente sem serviço. Mas continuaremos nos esforçando dentro das limitações que a tecnologia nos oferece e confiando no feedback fornecido por nossos clientes, em que uma pesquisa realizada e divulgada em agosto deste ano tivemos mais de 86% de aprovação”, comenta.

Quanto aos valores cobrados, Duarte explica que o atendimento às comunidades é mais custoso do que na zona urbana. “A zona rural possui grandes distâncias x poucos moradores. O terreno é acidentado, de difícil acesso, com pedras, lama e mato, este por sua vez, quebrando galhos e danificando as redes. Em inúmeras vezes absorvemos custos para que o cliente fique bem atendido, sendo que os moradores podem contar com nosso compromisso de prezar pela economicidade de nossas ações”, destaca. Além disso, ele explica que serviço ADSL depende de uma linha telefônica para funcionar. “Instalamos o telefone fixo ao cliente porque continua sendo muito mais barato do que os planos ofertados de telefonia celular”, acrescenta.

Falta sinal

Para outra moradora de Delfina, Marilei Diehl, a preocupação é com a mudança de residência que ocorrerá no próximo ano, já que, no novo local, o serviço de internet móvel da Vivo, operadora que a família usa, não funciona. “Onde moramos agora funciona bem, mas estamos construindo quase em frente a comunidade e ali o sinal é péssimo e não pega internet”, conta. Para ela, a solução seria a instalação de uma torre de telefonia na comunidade.

Em resposta, a assessoria de imprensa da Vivo informou que a empresa avalia continuamente a possibilidade de ampliações de sua rede móvel para oferecer o melhor serviço a seus clientes em todo o país, considerando a demanda e critérios técnicos para expansão de seu atendimento. “O distrito de Delfina é atendido pela rede 2G e no futuro poderá receber investimentos para expansão da rede da empresa. A área urbana da cidade de Estrela conta com três ERBs (estações rádio-base), que oferecem as tecnologias 2G, 3G e 4G.”


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