Polícia

“Nós é que somos os prisioneiros. E os ladrões, os livres.”

Família Wessel descreve drama que vivenciou na quinta-feira, dia 5, quando a casa foi invadida por ladrões, que deixaram os moradores amedrontados

13/10/2017 - Polícia

, do Bairro das Indústrias, se resume em antes e depois do assalto que sofreu na quinta-feira, dia 5. “Desde então, nossa vida se resume a medo e sensação extrema de insegurança.” O pai Airton Wessel, 54 anos, a mãe Doraci Wessel, 64 anos, e a filha Andréa Wessel, 25 anos, foram rendidos, agredidos e ameaçados durante 30 minutos dentro da própria casa, por dois criminosos armados e encapuzados. Depois de quatro dias, os hematomas ainda estavam registrados no corpo do pai.
O crime ocorreu por volta das 19h. Doraci estava em casa, e Airton e Andréa chegavam do último roteiro, depois de levar alunos para a universidade. “Agimos como todos os dias, mas nesse ficamos na parte externa da casa, observando a obra que estava sendo feita.”
Pai e filha conversavam quando ouviram o grito da mãe dentro de casa. Andréa explica que o pai logo pensou que fosse algo relacionado à energia elétrica, mas, quando se aproximaram da porta, se depararam com armas apontadas para a cabeça. “Os dois bandidos logo nos renderam, mandaram entrar e começou a pior meia hora de nossas vidas.”

Coação e humilhação
A dupla sentou Andréa e Doraci no sofá de frente para Airton. Um deles ficou mirando as mulheres com a arma. Enquanto isso, o outro bandido agredia com chutes e coronhadas na cabeça o homem. “Queremos o dinheiro agora. Senão matamos um por um”, gritavam, repetidamente os bandidos. Andréa relata que eles tinham em mente um montante, que preferiu não citar, e afirmavam com convicção que a família tinha o valor em casa, e que tinham certeza porque era dia de pagamento.
Airton e Andréa têm uma frota de transporte escolar e o tempo todo afirmavam para os criminosos que não havia o montante em casa. Sem sucesso, Airton seguia sendo agredido na frente da família, na expectativa de que uma delas falasse onde estava o dinheiro. “Se tivesse todo esse dinheiro em casa ou em qualquer lugar, não deixaria minha família levar um tapa sequer, entregaria tudo, mas não me ouviam e só batiam.”

Sem medo e audaciosos
Os criminosos tinham aparência jovem e um deles, inclusive, teria citado que era menor de idade, por isso não sofreria nada. O que mais assustou a família foi a atuação: enquanto um gerava medo porque estava muito ansioso, o outro agia de forma calma e parecia saber exatamente o que estava fazendo. “Ele segurava a arma e colocou em diversas partes do corpo do meu pai. Sem medo. Firme e decidido. Vi no jeito dele que se precisasse matar alguém, faria.”

Mais segurança
Durante a entrevista, a família estava inquieta e aflita com a situação, e relatou que investirá em mais segurança, mas mesmo assim ainda se sentirão inseguros. “Nós é que somos os prisioneiros. E os ladrões, os livres. Eles é que têm todo o direito de ir e vir e ainda são protegidos pelos direitos humanos.” Para Airton, o que restam, agora, são a humilhação, o medo e o pânico. “Fizeram tudo isso com a minha família e não pude fazer nada.” Os Wessel, que diariamente ouviam no rádio e liam nos jornais sobre assaltos, nunca havia cogitado ser vítima e hoje tem apenas uma certeza: “não importa os bens materiais, apenas a vida.”


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