Polícia

O medo por trás dos ataques a banco

Além de estragos e dinheiro, quadrilhas levam a paz e a tranquilidade das comunidades por onde passam

04/05/2018 - Polícia

Créditos da matéria: Carine Krüger

A noite de segunda-feira, dia 30, véspera de feriado, era para ser mais uma tranquila e rotineira em Colinas. O motorista do transporte escolar da prefeitura e agricultor, Milton Luiz da Costa, de 40 anos, conhecido como Juca, também seguia sua rotina: limpar o ônibus em frente do posto de saúde para encerrar o expediente. Durante a tarefa, olhou para o relógio e era exatamente meia-noite. Ao erguer a cabeça foi surpreendido por um homem mascarado e com roupas pretas, apontando uma espingarda calibre 12 em sua direção. “Te liga que é um assalto magrão.” A partir deste momento ele se tornou o único refém, por 28 minutos, de um duplo ataque a agências bancárias do município.
Conhecido na cidade por fazer o transporte escolar, e cuidar da segurança de crianças e adolescentes, Juca tentou se manter o mais tranquilo possível e obedecer todas as ordens dos criminosos. Eram cinco homens mascarados, armados com pistolas e armas longas, que usavam coturnos nos pés e coletes com a escrita segurança. “Sabia que se fizesse tudo e eles fossem logo embora, sem confronto com a polícia, teria mais chances de viver.”

Escudo dos bandidos
O criminoso logo disse para Juca que se tratava de um assalto às agências bancárias e que ele seria o refém e, por isso, seguiria com eles até onde fosse preciso. A primeira ordem foi tirar as meias e os sapatos. “Tive que ficar descalço. Ainda não sei por qual motivo.” Em seguida, quando saiu do ônibus, foi que realmente percebeu no que estava envolvido.
As luzes de todas as casas e apartamentos das proximidades estavam desligadas. Um dos bandidos era o vigilante da rua, outros três quebravam os vidros do Sicredi, e o quinto estava com ele. “Ele logo puxou minha mão para trás com força, numa posição de imobilização. Era perceptível que sabiam o que estavam fazendo e que tinham estudado o local.”

Estudaram a polícia
Juca ficou de costas, parado em frente do criminoso que, segundo ele, parecia ser o líder. “Fui o escudo dele, na verdade.” Além disso, a segunda ordem era que o refém controlasse o tempo deles na ação. A cada cinco minutos ele deveria avisar a hora. “Ao completar 20 minutos, questionei por que não fugiam logo. Que estava demorando demais e que a polícia viria.”
Foi, então, que o criminoso mostrou que sabia mais da região do que parecia. Ele teria dito exatamente o número de policiais que havia em serviço naquela noite em algumas cidades da região, inclusive em Estrela, e em quais não havia efetivo. “Conversou comigo sobre a cidade e me pediu um monte de informações. Disse ainda que soltaram miguelitos em muitas ruas vicinais para furar os pneus das viaturas. E que haviam olheiros em todas as entradas”, lembra. “Sabe que senti um certo alívio. Meu medo era o confronto.”

A liberdade
Vinte e oito minutos depois de iniciar a ação, os demais criminosos se uniram a eles com sacolas cheias de ferramentas, dinheiro e armas. Apenas um deles, o responsável em retirar o dinheiro dos caixas, estaria nervoso, os demais, segundo os moradores, estavam tranquilos. Ao entrarem em uma Ecosport vermelha, usada para chegar até o local, um deles mandou Juca entrar também para seguir como refém durante a fuga. Mas logo desistiram de levá-lo porque, segundo a vítima, o espaço estava limitado.

 

Reportagem especial completa na edição impressa do NG desta sexta-feira, dia 4 de maio


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