Estrela

“O nosso mundo desabou”

Família cobra explicações do Hospital Estrela após morte de Jossiel Pereira

07/02/2020 - Estrela

Créditos da matéria: Ana Caroline Kautzmann

Estrela - Na mesma semana em que Isac Natalício da Silva, de 2 anos e meio, faleceu no Hospital Estrela, após o que a família acredita ter sido uma negligência médica, mais uma morte foi registrada. Jossiel Pereira, de 25 anos, deu entrada no pronto-socorro após ter ingerido medicamentos e foi liberada logo em seguida, vindo a cometer suicídio cerca de uma hora depois.

A jovem morava no Centro de Estrela há mais de um ano, com um companheiro. A filha dela, de 8 anos, ficava com a avó, em Taquari. Ela é descrita pela família como uma mulher alegre, sempre de bem com a vida. “Ela falava: se não é para causar, eu nem vou”, lembra a irmã Silvia, que, acompanhada da mãe Elisabete da Silva Pereira, se recorda da irmã.

“Era a mais feliz de todas”

Para a família, Jossiel não apresentava nenhum indício de depressão. “Ela ria muito, dos quatro irmãos, era a mais feliz de todas”, diz a irmã. Na sexta-feira, dia 24, Jossiel saiu para comprar uma mochila para a filha. Retornou para casa, foi para o quarto e em seguida apareceu “grogue” após ter ingerido medicamentos. A família não sabe onde ela conseguiu os remédios, pois, até onde sabem, ela não fazia acompanhamento psiquiátrico.

Ela foi levada pelo companheiro para atendimento no pronto-socorro. A irmã conta que nenhuma medicação foi feita e a irmã foi liberada rapidamente. “A médica disse que não podia fazer nada, que era para ela voltar pra casa e relaxar.”
Silvia conta que Jossiel foi liberada por volta de 12h45min e 13h45min retornou ao hospital, mas em óbito. “Ela voltou para casa, disse para ele fazer uma comida e que ia descansar no quarto. Quando o almoço ficou pronto, ele chamou ela e nada. Ele arrombou a porta e já encontrou ela”, diz Silvia.

A família acredita que uma carta tenha sido deixada, pois um caderno e uma caneta foram encontrados em cima da cama e estão em posse da Polícia Civil para investigação. 

Polícia investiga

Os dois casos, tanto do menino Isac quanto de Jossiel, já estão sendo investigados pela Polícia Civil. O delegado Juliano Stobbe explica que, em ambos os casos, se for constatada imperícia ou imprudência por parte dos médicos que realizaram o atendimento, estes podem responder por homicídio culposo.

HE se posiciona:

- A paciente buscou atendimento a fim de fazer ajuste de medicação, uma vez que seu marido alegava o uso incorreto da mesma. Contudo, Jossiel refutou a informação, dizendo que a dose estava de acordo com a orientação de sua médica especialista. Ambos foram informados de que ajuste de medicação somente pode ser procedido pelo médico que a prescreveu, mas que ela seria atendida pelo médico plantonista.
- Ainda que não apresentasse queixas, a paciente passou por avaliação clínica, onde foi constatado sinais vitais estáveis e escala de Glasgow 15, maior nível de lucidez. Assim, ela foi liberada e orientada a discutir a situação com sua médica. E que retornasse ao hospital, se necessário.
- Embora a Comissão de Revisão de Óbitos - obrigatória em todos hospitais - ainda esteja analisando a conduta adotada, procedimento feito em todos os óbitos, a sinalização é de que o atendimento foi prestado de acordo com os padrões técnicos adequados.

 


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