Estrela

Soges busca opções para se manter

Direção do clube centenário diz que não tem como arcar com indenização milionária e pensão vitalícia

27/12/2019 - Estrela

ESTRELA - Sábado, dia 21 de dezembro. Nos gramados da sede campestre ocorriam as finais da 41ª Copa Soges de Futebol Sete, a mais antiga da região, mobilizando por cerca de 12 horas mais de 700 pessoas em uma verdadeira festa esportiva e de integração. No mesmo horário, em uma sala da sede social no Centro, repleta de troféus, fotos antigas e outros registros históricos, sete membros que fazem parte da diretoria da Sociedade Ginástica de Estrela (Soges), fundada há 112 anos, estavam reunidos para que, não apenas o futebol, mas outros tradicionais setores da entidade continuem fazendo parte da história de Estrela e do Vale.

É que o clube foi condenado a pagar uma indenização milionária e pensão vitalícia a um homem que sofreu um acidente de trabalho enquanto realizava serviço terceirizado na entidade. A direção busca alternativas, em especial, um acordo. Caso contrário, terá de encontrar outros meios de manter a sociedade ativa, o que hoje está em risco. A reportagem do Jornal NG participou de parte do encontro, quando o advogado da Soges, Enio Basegio, trouxe as últimas notícias.

O presidente Julio Brust disse que “não temos condições de arcar com estes valores, somos uma sociedade que não visa lucro. Tudo o que temos foi construído a partir da colaboração mútua e espontânea de outros homens e famílias. Se estas paredes estão de pé é porque ao longo de mais de cem anos muitos contribuíram até de forma solidária, assim como nós que buscamos um acordo que seja bom e viável para todos. E é um fardo que vem sendo carregado por mais de uma diretoria.”

O presidente do Conselho, Nestor Müller, explica que mesmo que o entendimento é de que a Soges não é culpada diretamente pelo acidente, a entidade não está se eximindo. “O fato é que contratamos uma empresa para a execução do serviço, como muitos fazem e que, de certa forma, correm o mesmo risco. Ocorre que o funcionário desta terceirizada, mesmo sendo do meio, sofreu acidente ao talvez não tomar alguns cuidados básicos de segurança. A Soges não quer deixar de colaborar e arcar com responsabilidades. Apenas entendemos que esses valores não condizem com o real objetivo, que é a recuperação da saúde deste rapaz.”

Atitudes drásticas

Sem conciliação, a direção não descarta tomar atitudes mais drásticas, como  fechamento de setores e venda do patrimônio, por exemplo. “Estaríamos, de uma maneira gradativa e disfarçada, caminhando para um fim mais adiante. Seria uma perda social e financeira para todos estrelenses e visitantes que têm na Soges uma referência”, atesta Müller. “Os campeões da temporada 2019 já são conhecidos; o futuro do clube ainda não”, resumiu o grupo, após mais um encontro nessa segunda-feira.

Relembre o caso

Em abril de 2015 um rapaz de 22 anos sofreu descarga elétrica seguida de queda ao trocar uma lâmpada do Ginásio Arnaldo José Diel, que pertence à sociedade. O jovem, que estava a serviço de uma microempresa terceirizada, ficou com problemas de saúde. Mesmo entendendo não ter responsabilidades, a direção atesta que o clube sempre se mostrou aberto a contribuir para o tratamento. Ainda assim foi condenado a pagar uma indenização de cunho moral e pensão vitalícia, cujos valores a direção prefere omitir, pois o caso segue em andamento.

Valores inviáveis

O conselheiro do clube, Alan Bucker, reforça que os atuais valores são inviáveis. “Nossas receitas advêm do que é cobrado de mensalidades e outros meios, mas são para manutenção e pagamento dos poucos funcionários, e isso em uma época que os recursos provenientes disso são bem inferiores. Hoje é bem maior o número de pessoas que têm piscinas em casa. A prática de esportes era bem mais intensa, assim como os eventos. E isso fez com que o número de sócios e a arrecadação da Soges, como em muitos clubes, despencasse. Vários fecharam. Ainda nos mantemos, mas com dificuldades. Caso não haja um acordo, a sociedade de Estrela e região vão perder muito.”


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