Estrela

Solicitado investimento em saúde mental

Demanda vai de estrutura física à contratação de profissionais, conforme destacou a coordenadora do serviço Mariana Mazzarino

10/05/2019 - Estrela

Créditos da matéria: Mariana Wermann

“Maio é o mês em que a gente comemora a saúde mental e, no dia 18, é quando comemora-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, desde a década de 1980”, lembrou a coordenadora do Serviço Municipal de Saúde Mental de Estrela, Mariana Mazzarino, convidada pela vereadora Débora Martins (MDB) a ocupar a Tribuna Livre na sessão de segunda-feira, dia 6, em virtude do Maio Amarelo. “Na década de 70, iniciaram muitas denúncias de maus tratos com os pacientes. Naquela época, o tratamento era muito focado na internação psiquiátrica e quem apresentava algum sintoma era levado aos manicômicos. O tratamento não era resolutivo e as pessoas ficavam isoladas da sociedade e da sua família.”

As denúncias e os tratamentos ineficazes resultaram na reforma psiquiátrica. Contudo, ela explicou que, apesar dos avanços, ainda é preciso lutar para que não aconteçam retrocessos. Mariana falou da Lei Paulo Delgado (10.216/2001), que motivou mudanças na política de saúde mental. “O foco passou a ser, aos poucos, diminuir os hospitais psiquiátricos e começar a ter serviços comunitários.” A partir daí, iniciou a criação dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em todo o país, os grupos, oficinas e residenciais terapêuticos e, quando necessárias internações, passaram a ser feitas em leitos de hospitais gerais.

Saúde Mental em Estrela

Em Estrela, o Caps existe desde 2002 e é o principal serviço de referência em Saúde Mental no município. “A proposta do Caps é atender pacientes com transtornos graves e persistentes, ou seja, aqueles com depressão mais grave, tentativa de suicídio, transtorno bipolar, ansiedade mais grave, esquizofrenia, tratamento para alcoolismo e outras drogas”, explicou Mariana. Segundo ela, há casos em que são necessárias internações, mas elas são pontuais e de até 21 dias. O Hospital Estrela possui 11 leitos, sendo seis para pacientes estrelenses e outros cinco regionais, destinados a pessoas de outros municípios dos arredores, como Colinas e Imigrante.

Após a internação, o paciente retorna ao acompanhamento no Caps ou, se a situação estiver mais tranquila, pode ser atendido pelos profissionais da Atenção Básica nos postos de saúde. A psicóloga informou que há oferta de oficinas terapêuticas na Estratégia de Saúde da Família (ESF) nos bairros Moinhos e Imigrantes, mantidas com verba estadual. Nos locais há profissionais da saúde e também artesãs. “Nós compreendemos que a arte ajuda muito no tratamento, que, na saúde mental, não é só o uso de medicações, nem psicoterapia individual com os psicólogos.” Ainda há, em Estrela, outras duas oficinas terapêuticas que não recebem verba do Estado, porque o governo cancelou o edital, mas são mantidas para o trabalho seguir sendo desenvolvido; e atendimentos individuais.

As principais necessidades do serviço, conforme a psicóloga, são melhorias na estrutura física do Caps; a contratação de um terapeuta ocupacional; um psicólogo na Atenção Básica para diminuir as filas de espera; um professor de teatro para oficinas com adolescentes; e criação de oficinas terapêuticas para crianças. “Temos projeto pronto desde 2016 e falta sair do papel, que é uma parceria entre as secretaria da Saúde, Educação e Assistência Social, que é o Centro Interdisciplinar de Atendimento às Demandas Escolares (Ciade), voltado ao público escolar, uma grande demanda que temos.”

Com a palavra, os vereadores:

- Débora Martins (MDB) ressaltou a importância do serviço, à medida que a demanda cresce. “O foco principal, além de reforçar o dia 18 de maio, é compartilhar com os colegas vereadores, porque muitas vezes não temos condições de conhecer todos os serviços da rede”, pontuou a vereadora. Também comentou que o Caps de Estrela é adulto e deveria atender apenas a partir dos 18 anos, pois verbas a Caps Infantil são somente para municípios com mais de 100 mil habitantes. “Podemos buscar um trabalho conjunto com os deputados para rever essa legislação e tentar garantir algum recurso para o município ampliar o serviço”, sugeriu. A coordenadora do serviço comentou sobre o último decreto da saúde mental que, apesar de retrocessos como o financiamento de tratamento com eletrochoque, tem um ponto positivo que é a possibilidade de ter ambulatórios municipais para atendimento infantojuvenil, com verbas de até R$ 30 mil mensais.

- Darlã Bellini (PSB) questionou quem pode procurar ajuda no Caps. A coordenadora respondeu que qualquer pessoa. “O profissional vai avaliar se o caso é de Caps ou não. Se for demanda mais leve ou moderada, será referenciado ao posto. Sendo mais grave, passa por acompanhamentos pelos profissionais do Caps.”

- Márcio Mallmann (PP) pediu qual o empecilho para efetivação do Centro Interdisciplinar de Atendimento às Demandas Escolares. “A vereadora Débora esteve junto e até a Univates se mostrou interessada em participar. Porém, a dificuldade está em recursos financeiros, porque precisamos de um espaço físico específico para atender crianças e adolescentes, a partir do encaminhamento das escolas, e a contratação de profissionais que ainda não temos na nossa rede pública”, explicou Mariana.

- Marco Wermann (PV) comentou que trabalha em escola pública há 26 anos e percebe que as questões de saúde mental parecem estar se antecipando, sendo necessária a implantação do Ciade. Ele questionou a partir de que idade o Caps atende. “Toda a demanda até 12 anos é atendida na Atenção Básica, porém, somente pelo pediatra ou psicólogo, quando, muitas vezes, precisaria de um diagnóstico mais preciso de um psiquiatra infantil ou neurologista.” Há o encaminhamento ao Hospital Bruno Born, em Lajeado, ou a Porto Alegre, porém, conforme a psicóloga, a demanda é muito grande. “Tudo o que começamos a atender e cuidar na infância, o resultado é muito melhor. Podemos prevenir situações, como drogas, depressão ou até conflitos com a lei”, alertou Mariana.

- Norberto Fell (PPS) perguntou porque não há a contratação de, por exemplo, fonoaudiólogo. “Sabemos que não é falta de recursos, pois o limite legal está sendo dispensado”, apontou o vereador. “Me parece que primeiro deve haver a criação dos cargos de fono e terapeuta ocupacional no município, pois não há como fazer concurso de um cargo que não está criado”, falou a psicóloga. Atualmente, os serviços são terceirizados. 

 


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