Estrela

Um novo olhar para o Complexo da Polar

Jovem arquiteto de Estrela planeja espaços comerciais e residenciais para a área da antiga e histórica empresa do município

25/01/2019 - Estrela

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Lucas Kirchner, de 26 anos, traz um olhar diferenciado para o antigo Complexo da Polar. O jovem estrelense, que mora no Bairro Oriental, estudou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), onde terminou a graduação em Arquitetura e Urbanismo em junho de 2018.

Foram cerca de seis meses de trabalho, que incluiu a medição de todo complexo fabril. Para ele, a ideia de revitalizar o local surgiu pela atratividade natural da paisagem e história da Polar. “Quando eu era criança esse lugar era um mistério porque era fechado. Quando estou em eventos aqui vejo que muitas pessoas estão vindo para cá, mesmo que esteja descuidado”, comenta.

Além da atratividade da estrutura, o arquiteto comenta que a inspiração surgiu de um intercâmbio realizado na Inglaterra, onde trabalhou na revitalização de um complexo fabril. “Trabalhei em patrimônio industrial e lá eles regeneraram um espaço que hoje é um dos mais lucrativos da cidade.”

Investimentos

No total, Kirchner previu 10,5 mil metros quadrados de reforma, mais uma torre com 3,6 mil metros quadrados de área nova. No local haveriam lojas, restaurantes, pub, áreas culturais e um cinema, tudo construído para manter as características e a preservação da Polar. “Eu medi todos os prédios, porque para mexer e preservar a característica eu precisava entender a estrutura”, afirma.

Além disso, a torre nova seria constituída de apartamentos. “A ideia é gerar novos investimentos que se revertam para a reforma e implementação de programas culturais, além de densificar um pouco mais a área”, explica.

Kirchner explica que dentro do que foi proposto na faculdade não precisou projetar o total de investimentos necessários para tornar viável a obra, mas diz que vários materiais poderiam ser reaproveitados. “É difícil orçar porque dá para reutilizar algumas coisas, mas não sabemos exatamente o que e qual o valor disso. No entanto, estruturas fabris bem utilizadas tornam o custo muito mais barato”, avalia.

O Governo de Estrela destaca que outros projetos já foram apresentados, sugeridos e analisados, inclusive para a transferência do Centro Administrativo municipal para o local. Porém, principalmente pela viabilidade de execução, os mesmos foram descartados devido ao alto investimento, falta de recursos disponíveis, desinteresse da iniciativa privada e a incapacidade de preservação dos prédios nos moldes de construções sugeridos.

Movimento na ação civil

Parte do Complexo da Polar também pode ter outro destino: ser doado pela prefeitura ao Estado para a construção do novo Fórum de Estrela. Em dezembro de 2018 o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) do RS entrou com uma ação civil pública pedindo um mandado liminar contra o município de Estrela. O objetivo foi buscar a proteção de parte do prédio a ser repassado. O processo tramita na 1º Vara de Justiça Federal de Lajeado.

Na primeira reportagem publicada em dezembro pelo Jornal Nova Geração, a Administração Municipal não se posicionou sobre o assunto, pois ainda não havia sido notificada. Agora, o procurador Guilherme Gewehr afirma que o governo “encaminhou todos os esclarecimentos solicitados pela Justiça no prazo legal, quando o município expôs as razões que, na época, fundamentaram a doação, conforme aprovado pela Câmara de Vereadores.

Na quarta-feira, dia 23, o juiz federal Andrei Gustavo Paulmichl publicou uma decisão após o CAU ter anexado novos documentos ao processo. “Ele quer que as entidades se manifestem. Juntamos as manifestações do Conselho Estadual de Cultura e Colegiado Setorial de Patrimônio Histórico do RS ao processo, e isso interessou ao juiz, que convocou o Estado e o Ministério Público”, explica o advogado do CAU, Cezar Eduardo Rieger.

Tombamento histórico

Em contrapartida à doação de um dos prédios, uma parte do complexo fabril deve ser reformada para abrigar o Arquivo Municipal. O projeto técnico-científico é de responsabilidade da Faculdade La Salle de Estrela, com apoio de historiadores, professores e pessoas envolvidas na área cultural e iniciativa do governo municipal. Após a conclusão do estudo, o prédio possivelmente será tombado para se tornar patrimônio oficial público. 


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