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Cortes alertaram para gravidade do caso

19/05/2017 08:42:37

Conversas e orientações foram insuficientes para uma adolescente de 15 anos, moradora do Loteamento Nova Morada, e estudante da 8ª série de uma escola municipal de Estrela. Ela estava internada na ala psiquiátrica do Hospital Estrela porque se automutilou nos braços para cumprir uma das tarefas do jogo Baleia Azul. O secretário municipal de Educação, Marcelo Mallmann, confirma a situação e diz que toda a equipe estava ajudando a família, e o secretário da Saúde Elmar Schneider afirma que o caso é de depressão.
A mãe da menina reafirma que tem todas as mensagens entre a menina e os jogadores. Alega que a filha se queixava muito de sofrer bullying por ser magra. Os professores constataram que a menina estava passando por alguma situação problemática, pois perceberam mudanças em suas atitudes e postura. “A direção da escola procurou conversar com a família, que confirmou que a menina estava tendo um comportamento estranho.”
Mallmann destaca que depois da conversa, todos (família, equipe diretiva e professores) passaram a ter uma atenção especial com a adolescente, procurando conversar com ela e orientá-la da melhor forma possível.
“Quando a escola percebeu os cortes nos braços da menina, prontamente conversou com a mãe, sugerindo um acompanhamento psicológico.” Diz ainda que a própria equipe conversou com a adolescente que, inicialmente, negou o envolvimento no jogo. Também contataram com os amigos mais próximos da adolescente para entender melhor o que estava acontecendo. Na escola, Mallmann diz que os professores conversaram com as turmas sobre a forma de atuação do jogo Baleia Azul e as consequências negativas do mesmo para suas vidas.
Frisa que quando confirmado o envolvimento da aluna no jogo, toda a rede de proteção foi acionada para dar apoio. Além disso, salienta que a equipe diretiva da escola manteve contato permanente com a família, dando suporte para a adolescente e a família.
Trabalho na escola
Segundo o secretário, na escola onde ocorreu o fato, atua o professor Aloizio Pedersen, artista e educador com experiência e reconhecimento nacionalmente pelo seu trabalho na questão social dos adolescentes em diversas situações de risco, como criminalidade, drogadição, vulnerabilidade e outras.
Em Estrela, ele desenvolve justamente nessa escola um projeto com professores e alunos visando a aproximação de ambos, para que se estabeleça um vínculo de cumplicidade e para que todos se sintam pertencentes ao ambiente escolar.
“A ideia é reconhecer os alunos da escola como seres capazes de transformar sua realidade, fortalecê-los para que possam ser protagonistas de suas próprias histórias.”
47º desafio
Para a sua mãe, a menina alegou que era deixada de lado por que dizia que os colegas a chamavam de magra e feia, e isso a deixou no isolamento. A aproximação com os curadores, como são chamados os líderes do jogo, começou por meio do Facebook e logo migrou para o WhatsApp, onde a jovem precisava cumprir tarefas estabelecidas pelo grupo e enviar vídeos a eles comprovando o cumprimento das metas.
Ao todo, são 50 desafios (um por dia), sendo que o último termina em morte. A jovem estaria completando o 47º desafio quando a mãe interviu, mas já havia recebido a última tarefa, que era de se jogar de um prédio. Caso não cumprisse todas as tarefas, os curadores ameaçavam matar sua família.

 

Reportagem completa na edição desta sexta-feira