Marçal Junqueira

Tempos de divisão...

12/12/2015 - Marçal Junqueira

Sempre achei chato em véspera de Natal falar sobre assuntos negativos, mas estamos vivendo uma véspera de Natal especial. Costumo dizer que o antigo tédio de se ter pouco foi substituído pelo moderno vazio de se ter demais. Notícias demais, compromissos demais, contas demais, coisas demais, e espírito de menos. Me parece que estamos em tempos de rompimentos. No campo material está ficando bem claro que a forma como temos feito política e negócios precisa ser profundamente revista.

Mas em outros cenários também se vê momentos de expectativa de mudanças, em função do fracasso da Seleção Brasileira e dos escândalos da CBF, procura-se novos caminhos para fazer nosso futebol  brilhar de novo. Também no vôlei que tinha uma imagem impecável na mente do torcedor brasileiro e uma tradição de vitórias, vive momentos de crise e de busca de novos caminhos. Como em nossa região, política, economia e futebol não estão entusiasmando ninguém.

Sempre temos uma ideia mágica de romper com tudo e começar novamente, do zero. Normalmente é assim quando se aproxima o fim do ano, começamos fazendo faxina, balanço do que ainda está por fazer, tentamos liquidar pendencias, limpar gavetas, limpar a carteira. A ideia de um novo começo é sempre renovadora. Uma nova oportunidade para fazer melhor, mais bonito.

Nesta hora é importante lembrar o caso Fernando Collor, quando o impedimento (me nego a escrever impeachment) foi uma solução. Foi uma ruptura rápida que serviu para recompor as forças políticas, unir a sociedade e até despertar um certo sentimento patriótico. Houve a união de todos, Caras Pintadas, partidos de esquerda, partidos liberais, povo em geral. Como um fim do ano bem comemorado. Agora esta questão  da Dilma não é bem assim. Está servindo para dividir mais uma sociedade já divida. Não há consenso na sociedade, nos partidos ou no povo como diria o Arlei. 

Talvez seja hora de uma guerra dizem alguns, o Brasil precisa de um conflito, dizem outros, que nunca passaram nem perto de uma revolução ou guerra. Só melhora na marra dizem outros. O país pela primeira vez está dividido, sem lideranças fortes e carismáticas como já teve. E a motivação para conflitos seria perfeita com um processo de impedimento mal conduzido.

O presidente da Câmara é um vigarista criminoso desmoralizado que governa um país inteiro praticamente para um conflito. Isto tudo é muito sério e pode gerar confrontos na rua como houve na era Vargas e na ditadura militar. Não chegamos lá ainda, mas é fácil chegar se não houver bom senso, e acalmar-se os radicalismos.

O perigo fica mais evidente quando em várias regiões do país a milícia ou o tráfico de drogas se mistura com a política como foi o caso do Jardel.  Os políticos enfrentam desgaste, os empresários e os esportistas enfrentam desgaste, precisamos urgentemente de exemplos mais positivos em todas as áreas para o ano de 2016.

Assim esperamos. Até semana que vem!

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