Adriano Mazzarino

Coluna do Mazzarino

12/05/2017 - Adriano Mazzarino

“O tempo das verdades plurais acabou. Vivemos no tempo da mentira universal. Nunca se mentiu tanto. Vivemos na mentira, todos os dias.”
 
(José Saramago – escritor português)
 
Curtas
? O prefeito de Estrela, Rafael Mallmann (PMDB), é pré-candidato à presidência da Famurs, entidade que reúne os municípios do Estado. É para 2018, mas as amarrações já iniciaram.
 
? Os secretários de governo de Imigrante tiveram um aumento de seus vencimentos na ordem de 16.56%. Apenas os secretários receberam o aumento.
  
? O vice-prefeito de Estrela, Valmor Griebeler (PV), se fez ausente no ato inaugural do Centro Materno-Infantil e da reunião-almoço da Cacis com o governador José Ivo Sartori (PMDB). Griebeler é pré-candidato à Assembleia Legislativa.
 
? Os progressistas da região se reúnem na sexta-feira, dia12, em Imigrante. A senadora Ana Amélia Lemos confirmou presença. A coordenadora regional Mareli Vogel  pretende reunir os municípios do Vale e as lideranças de regiões vizinhas.
 
Crônica
BELCHIOR
O baterista de Elvis Presley dizia que Elvis sempre o seguia. Onde quer que fosse Ronnie Tutt, após a morte de Elvis, ouvia músicas, notícias ou citações do Rei do Rock.
Sou fã de Belchior. E nos últimos tempos Belchior me vinha seguido à memória. Ano passado estive em Fortaleza e o hotel que me reservaram era no Mucuripe, um bairro da cidade. Lá vi a praia, as velas e os pescadores, e chorei de emoção. Lá vi Belchior e a profundidade de sua obra Mucuripe, gravada por Raimundo Fagner, Elis Regina e Roberto Carlos. Ali entendi melhor a canção e o talento de quem a construiu.
Num show recente de Raimundo Fagner, em Porto Alegre, uma de suas primeiras músicas foi Mucuripe e ele calou a mim e a plateia. Belchior me veio à mente.
Na Fortaleza que visitei, fui falar sobre comunicação e encerrei falando de Belchior onde me emocionei recebendo a solidariedade da plateia, formada por diversas pessoas de Sobral, terra natal do cantor.
Ao ouvir a Rádio Univates/FM, constantemente, o atento Marcelo Petter programava Belchior. E eu me emocionava.
Em paralelo, faz umas duas semanas, a lembrança de Belchior me veio à mente sem motivo algum. Fiquei uns dois dias pensando na sua obra e seu desaparecimento. Fui ouvi-lo no YouTube pra acalmar as minhas dores.
Ao saber, domingo de manhã, que ele estava em Santa Cruz do Sul levei um susto. E sua morte trouxe uma dor íntima.
Conheci Belchior em Encantado, no Festival de Música Canto da Lagoa, na época organizado pela jornalista Renira Turatti. Após o show, uma coincidência permitiu que nos reuníssemos ao redor de uma mesa. Nos identificamos logo, pois ele também era fã de Quino, desenhista argentino. Ele fumava um charuto e disse que estava exercitando caligrafia antiga.  Rimos sobre “Foi com medo de avião”, música que o popularizou e as piadas que recebia nos aeroportos do país. E o papo rumou numa viagem filosófica entre “ver para crer” e “crer para ver”. Conversa que até hoje eu não lembro como entramos e como dela saímos.
Foi uma conversa de meia hora. Ele não se demorou. Uma moça de Lajeado/Estrela, o rodeava. Um quase assédio. Ele, discreto e com cara de ironia, disse que precisava atendê-la. 
E assim não deu tempo de dizer o quanto sua obra foi profunda e definitiva,  numa época de poucas luzes e reflexões.
Num período de sensíveis emoções eternizadas em letras, no sorriso de uma normalista linda e na presença de um blusão de couro.
Que Elis Regina te receba sorrindo, Belchior! E que as velas do Mucuripe levem as nossas mágoas, as tuas e as minhas, para as águas fundas do mar.
 


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