Marçal Junqueira

Limites...

14/11/2015 - Marçal Junqueira

Limites...

Lembro-me quando criança que, quando alguém dizia “Você passou dos limites”, podia contar.. Lá vinha uma surra; podia ser dos pais, avós, tios, e até mesmo de pessoas das relações próximas da família. Nesta época, a família dava limites. Isto pode, isto não pode, isto deve ser feito assim, isto jamais pode ser feito, não mexa no que não é seu, peça licença, diga obrigado, faça o favor de obedecer; senão... Bom eu falo isto porque depois, nos anos 1980, chegou a minha vez de ser pai e hoje já, quase avô. Nesta época havia uma forte corrente da Psicologia que dizia para os pais tomarem muito cuidado porque as crianças podiam ficar traumatizadas se criadas com muitos limites. Hoje muita gente em nossa sociedade está passando dos limites, especialmente na política, e em vários outros setores público ou privado. E eu acreditei... Nós éramos uma geração criada com muitos limites, especialmente materiais, e queríamos mudar isto na criação de nossos filhos. Nada de limites. O que eu observo hoje, depois que esta geração sem limites está criando seus filhos, é que o comportamento mudou muito, que há uma perda de socialização muito grande, que é impossível as crianças esperarem para falar. Elas já saem “metralhando” o que querem, não ouvem as pessoas até o fim, raramente pedem licença ou agradecem, são muito rápidas e nós muito lentos. Muitas, é claro, nem sempre todas, ganham coisas materiais mas pouco se satisfazem. A nossa sorte é que, já há um consenso de que limites não dão traumas como a nossa geração temia. Se na década de 1970/80 a gente pensava que mudando a hierarquia, em vez de os pais mandarem nos filhos, os filhos e netos mandassem nos pais, nós iríamos ser mais felizes, mais amados e paparicados por nossos filhos, e eles, muito mais felizes do que nós fomos; nos enganamos feio. Esta geração não tem muito tempo para pais e avós. Dificilmente fazem visitas aos pais, não acreditam que os pais ou avós precisam de alguma retribuição. Não falo em algo material, poucos têm tempo para visitar espontaneamente. Em geral, só aparecem se convidados ou se precisam de algo. É claro que tem exceções caro leitor, os meus e os teus não são assim, isto acontece em outras regiões e estados. O que a gente valorizava, que era contribuir socialmente, ou trabalhar até mais tarde, visitar vizinhos ou parentes e amigos, já não faz mais sentido para eles, e quanto à felicidade, aquela de cantar e rir espontaneamente, ser agradecido por um dia de sol, já não parece fazer parte do dia a dia desta geração. A visibilidade na internet virou uma obsessão. Devo dizer que ensinamos e educamos nossos filhos a receber muito, e eles acreditam que o mundo é assim mesmo. Não é falha de caráter, é o poder da nossa educação. Eles foram educados para serem mais egocentrados, tendem a se colocar em primeiro plano, poderão seguir o modelo de dar em tudo, mas desta vez só coisas materiais, seu tempo, seu afeto??? Tomara. Mas nem tudo está perdido, ainda não chegou o fim, temos maravilhas operando em nossa sociedade e teremos orgulho no futuro de termos criado esta geração...

Assim espero. .. Até semana que vem!

Leia nosso Jornal onlline: http://jornalng.com.br/pageflip/Main.php?MagID=1&MagNo=186 Página 02



Leia Também

Coluna Gastro

22/08/2017

Coluna Gastro

28/06/2017


Coluna Gastro

24/04/2017

Coluna Gastro

18/02/2017