Marçal Junqueira

Não permitam que matem a esperança

21/11/2015 - Marçal Junqueira

 

Sempre, nos momentos mais críticos de minha vida, ou da vida daqueles que nos cercam, havia a frase de que “a esperança é a última que morre”. Tenha fé. Pois não é que tem gente querendo matar a esperança? Aí já é demais...

Até agora eu estava de sangue doce, mas vou entrar na briga, e como dizia meu avô, dou um boi para não entrar, mas uma boiada para não sair. Se depender de mim não vão matar a esperança. Tinha um amigo, cujo pai viveu até os 88 anos. Religioso, trabalhador, honrado, daqueles que tem uma vida reta, ajudava a igreja, comunidade, líder da família, sempre tinha uma palavra, um norte a todos. Não bebia, não fumava e se orgulhava de ter “conhecido” durante toda a vida uma única mulher, a sua.

Alemão daqueles tradicionais que só dava orgulho a quem o conhecia. Tinha uma vida organizada, como todo bom alemão.  Poupança, casa na praia, chácara, dois carros, filhos estudando, etc. Pois não é que depois dos 80 anos começou a acreditar no fim do mundo? Ele estava convencido de que era o fim dos tempos. Os filhos se separaram, a igreja pendeu para a esquerda, o mundo que ele conhecia, seguro, já não existia mais, e ele passou a acreditar unicamente no fim do mundo. Vendeu a casa na praia, a chácara, passou a rezar o dia inteiro, se entregando para Deus...  é claro que faleceu sem ver o fim do mundo.

Só no século passado, desde a minha bisavó, já anunciaram o fim do mundo sete vezes. Consultei alguns psiquiatras que falaram ser possível que, já que ele estava próximo da morte, seria portanto o fim do mundo dele. Não suportaria que o mundo continuasse sem ele, tão correto, tão distinto, Deus não poderia ser injusto, tinha que vir o fim de tudo. Às vezes, pregar o fim do mundo rende muito a muitas pessoas, economicamente falando. Muitos por medo ou inércia diminuem, param, ou estacionam, afinal vai terminar mesmo. Mas é bom observar que, às vezes, os mais idosos acabam incentivando os mais novos a lutar, a ter esperança, pois afinal já se passaram tantos fins do mundo desde que o mundo é mundo que já se perdeu a conta.

Enquanto o fim do mundo não vem, não vamos acreditar em tudo. O Brasil é muito maior do que este buraco que querem nos enfiar, e o mundo então, nem se fala. Até a próxima semana!

 

Leia nosso jornal onlline: http://jornalng.com.br/pageflip/Main.php?MagID=1&MagNo=187 Página 02



Leia Também

Coluna Gastro

22/08/2017

Coluna Gastro

28/06/2017


Coluna Gastro

24/04/2017

Coluna Gastro

18/02/2017